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terça-feira, 12 de abril de 2016

O HOMEM DEPENDE DE SEU SONEN* - Ensinamento de Meishu-Sama



É realmente verdade que gratidão gera gratidão e lamúria gera lamúria. Isto acontece porque o coração agradecido comunica-se com Deus, e o queixoso relaciona-se com Satanás. Assim, quem vive agradecendo, torna-se feliz; quem vive lamuriando-se, caminha para a infelicidade.
A frase: "Alegrem-se que virão coisas alegres", expressa uma grande verdade.

Meishu-Sama, 3 de Setembro de 1949

* Sonen: A palavra Sonen não tem uma tradução directa para o português. Apesar de, até hoje, ter sido traduzida como Pensamento, na verdade, o seu siginificado é muito mais amplo e profundo.
Sonen = Razão + Sentimento + Vontade

terça-feira, 5 de abril de 2016

DEUS É JUSTIÇA - Ensinamento de Meishu-Sama



Não deixa de ser estranho falar, agora, que Deus é Justiça. Mas insisto nesse ponto porque não só o povo, mas também os fiéis e os ministros geralmente tendem a esquecê-lo.

Embora a nossa Igreja se dedique especialmente à prática da justiça e do bem, há alguns fiéis que se desviam do caminho certo e vagueiam sem rumo. Nessas ocasiões - torno a insistir - se eles desprezarem o sinal de advertência enviado por Deus, poderão sofrer terríveis consequências.

No início, sensíveis e agradecidas às graças e milagres recebidos, as pessoas se mostram devotadas, fervorosas na fé. Desde que esta seja sincera, as graças se fazem evidentes, o que torna essas pessoas respeitadas por todos. Como também são beneficiadas materialmente, na verdade elas deveriam sentir-se ainda mais gratas e dedicadas; entretanto, longe de pensarem na retribuição, muitas se acostumam com as graças, tornando-se orgulhosas e vaidosas. Os espíritos do mal, que estão sempre vigilantes, aproveitam essa oportunidade para conquistá-las, e começam a controlá-las a seu bel-prazer. Isso é realmente alarmante.

Satanás espreita principalmente as pessoas ambiciosas e fúteis. Sendo ele impotente contra a verdadeira fé, não há perigo para quem a possui. Isso se evidencia pela presença ou ausência de egoísmo. O homem que vive somente para Deus e a humanidade, sem pensar nos próprios interesses, não é atingido por Satanás. No entanto, quando as coisas começam a correr bem, ele pode tornar-se pretensioso, julgando ser um grande homem. Aí é que está o perigo, pois surge a ambição, e quanto mais ambicioso se torna o homem, mais ele procura engrandecer-se e mais poderes deseja conquistar. O facto é alarmante. Quando isso acontece, Satanás penetra no espírito da pessoa e acaba por dominá-la. É um poder passageiro; entretanto, como ocorre a cura de doenças e outros milagres, a vaidade é mais instigada ainda, chegando o vaidoso a se julgar a encarnação de alguma divindade.

Trata-se de uma tendência que pode ser claramente distinguida observando-se com atenção as atividades das religiões fundadas por esses pseudodeuses. Algumas se caracterizam pelo escasso amor e pela fé "Shojo", regida por preceitos extremamente rigorosos. Os que não obedecem a eles, vêem-se ameaçados de castigo, destruição ou morte, caso abandonem o grupo ou a Fé. São religiões ameaçadoras, que procuram impedir o desmembramento de sua organização. Se uma religião apresentar esses indícios, pode ser julgada como de carácter diabólico.

Torno a dizer que a fé verdadeira é "Daijo", liberal; portanto, nada impede que seja seguida ou abandonada. Além disso, ela é celestial, alegre e ativa, revelando vida. A religião que exige uma fé rigorosa e dogmática, age com heresia, é infernal. Devem acautelar-se principalmente quando houver o mínimo segredo que seja. Se uma religião disser, por exemplo: "Isso não pode ser dito aos outros, mas...". podem ter a certeza de que ela é herética. A religião correta e autêntica é a própria imagem da clareza, sem nenhum indício de sigilo ou mistério.

Meishu-Sama, 18 de março de 1950

terça-feira, 22 de março de 2016

RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES - Ensinamento de Meishu-Sama

RELIGIÃO CRIADORA DE PESSOAS FELIZES - Ensinamento de Meishu-Sama


A Religião não é nada mais do que a cristalização do amor de Deus para guiar os infelizes ao caminho da felicidade. Ninguém ignora que muitos lutam em vão para conseguir a felicidade almejada; raras são as pessoas que a conseguem, depois de uma vida inteira de lutas.


É de pouca utilidade colocar em prática a teoria que nos foi legada através de instrução e de biografias e leitura referentes aos exemplos de grandes personagens. A teoria bem formada merece admiração, mas todos sabem, por experiência própria, que é difícil pô-la em prática.

Tem-se como crédulo ou simplório aquele que age com honestidade; entretanto, se a pessoa procede diferente, cai no descrédito social e nas malhas da Lei. Por fim, o indivíduo não sabe como agir. O que os homens consideram bem-viver e se apressam por adoptar é a vida desonesta sob a a capa da honestidade. Os melhores adeptos dessa filosofia tornam-se os campeões dos bem-sucedidos, razão por que as pessoas tendem a seguir tais exemplos e o mal social não diminui.

Dizem que os honestos levam desvantagem, e tudo nos faz chegar a tal conclusão, a julgar pelo aspecto do mundo, de modo que quanto mais honesto for o indivíduo, tanto mais ele se arrisca a cair no conceito de "antiquado". Observa-se com frequência que os homens que proclamam a justiça são repelidos e fracassam na sociedade.

É enorme o meu esforço para manter constantemente o conceito de justiça diante de semelhante mundo. O homem comum escarnece das minhas palavras, que ele considera crendices. Julga-me caprichoso e covarde, porque não sou interesseiro. Sente-se importunado por enfrentarmos o mal e destemidamente escrevermos a respeito, e também pelo nosso rápido progresso. Ultimamente, porém, em vista da firmeza de atitude com que nos tem mantido, apesar de todas as pressões - atitude que visa unicamente o bem - está despertando certa consideração por nós no espírito das pessoas. Alegra-nos, acima de tudo, que a situação tenha abrandado, facilitando o nosso trabalho. Isso se deve à resistência que oferecemos a todas as perseguições, tendo Deus por nosso apoio, e ao facto de a Igreja Messiânica possuir o Johrei, inexistente nas demais religiões.

Felizmente, alcançamos a liberdade religiosa com o advento da democracia. O ambiente ficou favorável, em comparação com o do Japão anterior à Guerra, tornando possível, através da justiça, eliminar o mal e caminhar ao encontro do bem.

A seguir, tratarei do problema concernente à felicidade do Homem.

Naturalmente, o bem constitui a base da felicidade, sendo óbvio insistir sobre a necessidade de ele ter força suficiente para vencer o mal. Até agora, entretanto na sua maioria, as religiões careciam dessa força; por conseguinte não proporcionavam a felicidade desejada. Sendo assim, tiveram de pregar a iluminação para satisfazer o povo, no seu desejo de atingir pelo menos a paz espiritual, uma vez que não conseguiam obtê-la na totalidade, isto é, espiritual e materialmente. Ou então, pregaram a resignação, através do espírito de expiação e do princípio de não-resistência contra o mal. Criaram, portanto, a teoria da negação da graça na vida presente, o que explica ser classificada de superior a religião que visa a salvação do espírito, e de inferior aquela que consegue obter, também os benefícios do mundo. Mas essa teoria não passou de um recurso para determinada época. Darei exemplos.

Há pessoas que, embora torturadas por uma doença prolongada, dizem-se alegres, alegando estarem salvas quando na realidade estão apenas resignadas, sufocando os seus verdadeiros sentimentos. Isso é uma espécie de auto-traição. Por natureza, a verdadeira satisfação nasce com o restabelecimento da saúde, se for esse o caso.

Em todos os tempos, houve famílias que, não obstante o ardor de sua fé, não foram agraciadas materialmente, permanecendo vítimas de desgraças. Dessa forma, acabaram por se iludir, julgando que a essência da Religião só objectiva a salvação espiritual.

A Igreja Messiânica Mundial salva tanto o espírito como a matéria. Podemos afirmar que vai além disso. As obras de construção dos protótipos do Paraíso Terrestre em diversas localidades, assim como a construção de museus de arte que estamos realizando dependem inteiramente dos donativos dos fiéis.  igreja abomina a exploração, contando apenas com recebimento de donativo espontâneo. apesar disso, é realmente milagroso o facto de se conseguir a quantia necessária para o empreendimento de uma obra de tal envergadura. Isso prova a prosperidade dos fiéis. O donativo, longe de ser temporária, tende a aumentar, razão por que nunca me preocupei com dinheiro.

Na época em que apareceram as religiões antigas, os ensinamentos podiam ser de carácter limitado, de Fé Shojo, mas hoje a realidade é outra. tudo adquiriu carácter universal, de modo que é preciso uma organização grandiosa, para salvar a humanidade. Quanto maior a organização, maior o número de pessoas salvas. Por isso, ao tomar conhecimento dos seus objectivos, ninguém deixará de reconhecer a importância da nossa Igreja.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

OS JAPONESES E AS DOENÇAS PSÍQUICAS - Ensinamento de Meishu-Sama

OS JAPONESES E AS DOENÇAS PSÍQUICAS - Ensinamento de Meishu-Sama


Atualmente, as pessoas vivem falando sobre degradação moral, aumento de crimes, política deficiente, etc. Vou mostrar que tudo isso tem profunda relação com a doença psíquica. Em primeiro lugar, explicarei a verdadeira causa desse tipo de doença. Todos vão se surpreender, mas como se trata da própria Verdade, estou certo de que compreenderão, a menos que se trate de um doente mental.

A verdadeira causa da doença psíquica é física e, ao mesmo tempo, fenómeno de encosto. Para os homens da atualidade, que receberam uma educação materialista, talvez seja um pouco difícil entender isso, o que é plenamente justificável, pois lhe incutiram na mente que não se deve acreditar naquilo que não se vê. Porém, a Verdade é a verdade, mesmo que a neguem. Se disserem que o espírito não existe, por ser invisível, terão de concluir que também não existe o ar nem os sentimentos.

O espírito existe porque existe; o fenómeno de encosto também existe porque existe. Se não partirmos desse princípio, não poderei explanar a minha tese. Assim, é melhor que aqueles que negam firmemente a existência do espírito não a leiam. Há pessoas que nos julgam supersticiosos, mas para nós elas é que o são; portanto consideramo-las dignas de pena.

Mostrarei, a seguir, por que eu afirmo que a doença psíquica é um fenómeno de encosto.

Muita gente se queixa de ter o pescoço e os ombros enrijecidos. Creio mesmo que quase todos os japoneses se queixam disso. Aliás, pela minha longa experiência, posso afirmar que todas as pessoas apresentam esses sintomas. É raro alguém dizer o contrário, mas, em tais casos, o que acontece é que o pescoço e os ombros da pessoa se encontram tão rijos, que se tornaram insensíveis à dor. Esse enrijecimento constitui a verdadeira causa da doença psíquica. Posso imaginar o espanto e a surpresa dos leitores, mas creio que, com o desenrolar da explicação, vão acabar compreendendo.

Com o enrijecimento do pescoço e dos ombros, as veias que levam o sangue ao cérebro ficam comprimidas, causando anemia na parte frontal da cabeça. Aí está o problema, pois a anemia cerebral não se resume numa simples anemia. Como o sangue é espírito materializado, ela não é senão a falta de células espirituais que alimentam o cérebro, provocando o enfraquecimento espiritual, causa imediata da doença psíquica. Os espíritos aguardam essa oportunidade para encostar. A maioria é de animais como raposa, texugo e, mais raramente, cães e gatos, e sempre é um espírito desencarnado. Pode haver, também, encosto simultâneo de espírito humano e animal.

Analisando o pensamento humano, diremos que ele é constituído de razão, sentimento e vontade, os quais levam o homem à ação. A função da parte frontal do cérebro é comandar a razão, e a da parte posterior é comandar os sentimentos. Como prova disso, o amplo desenvolvimento da parte frontal da cabeça, nas pessoas de raça branca, indica a riqueza da razão; ao contrário, as de raça amarela possuem a parte frontal estreita e a parte posterior desenvolvida, indicando a riqueza de sentimentos. Todos sabem que a raça branca é a mais racional, e a raça amarela a mais emotiva. A razão e o sentimento estão sempre em luta dentro do homem. Se a razão vencer, não há falhas, mas a pessoa torna-se fria; se o vencedor for o sentimento ou a razão se expressarem em ação, seja grande ou pequena, necessita-se da vontade, a qual provém de uma função situada em determinado ponto da zona umbilical. Essa é a origem de todas as ações, e a união dos três elementos - razão, sentimento e vontade - constitui a trilogia do pensamento.

O enfraquecimento espiritual na parte frontal da cabeça provoca insónia. Esta, na maioria das vezes, é causada por pontos solidificados na zona occipital direita, que comprimem as veias. Como a insónia acelera o enfraquecimento espiritual, os espíritos aproveitam a oportunidade para encostar. A parte frontal da cabeça é a sede de comando do corpo, e o espírito, ocupando essa parte consegue dirigir livremente o indivíduo. Ele tem interesse em utilizá-lo à sua vontade, pois com isso se torna influente entre os companheiros. O ser humano nem pode imaginar como é grande esse interesse. Brevemente, baseando-me nas minhas observações, pretendo escrever sobre os espíritos de raposa.

(continua)
Meishu-Sama, 25 de setembro de 1949

RAZÃO - SENTIMENTO - VONTADE -> AÇÃO

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

DOENÇA E ESPÍRITO - Ensinamento de Meishu-Sama



Conforme já expliquei pormenorizadamente, a doença é o aparecimento e o transcurso do processo de purificação, mas convém saber que existem muitas doenças de origem espiritual. Muito se tem falado sobre isso desde tempos remotos, havendo mesmo certas religiões que afirma que quase todas as doenças têm origem espiritual. Através das pesquisas, entretanto, eu soube que a doença pode ser decorrente de ação espiritual ou processo purificador. Também descobri que entre os dois tipos há uma relação íntima e inseparável, pois o encosto de espírito enfermo limita-se ao local maculado do espiritual. Portanto, se este, pela dissolução das máculas, ficar purificado até certo grau, não só desaparecerá a doença do corpo material, mas também será impossível o encosto do espírito enfermo, e a pessoa se tornará saudável, física e espiritualmente.

5 de fevereiro de 1947

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

PAZ E SEGURANÇA - Ensinamento de Meishu-Sama



PAZ E SEGURANÇA - Ensinamento de Meishu-Sama


As pessoas acham que as expressões "paz" e "segurança" limitam-se apenas ao espírito, mas esse modo de pensar constitui um grande erro, uma vez que, para obtermos a verdadeira paz e segurança, não podemos excluir a matéria. Pensem bem: se houver uma que seja das três grandes desgraças - doença, pobreza, conflito - onde estará a paz? Quando as pessoas estiverem certas de que, durante toda a sua vida, não terão preocupações com doenças, não ficarão pobres, nem haverá a possibilidade de se envolverem em conflitos, aí sim, elas terão a verdadeira paz e segurança. Entretanto, no mundo contemporâneo, possuir essas três condições ao mesmo tempo não passa de utopia. Diríamos que provavelmente não existe uma pessoa sequer, no mundo inteiro, que possa afirmar possuí-las.
Observando este mundo, logo percebemos que nada ocorre conforme desejamos; as coisas más acontecem incessantemente, e as boas, só de vez em quando. O mundo em que vivemos é a própria imagem do inferno.
No que se refere à saúde, por exemplo, não sabemos quando vamos ficar doentes. Um simples resfriado pode acabar logo, como pode perdurar e gerar uma doença terrível. Portanto, não podemos estar despreocupados, pensando que um resfriado não é nada. Como diz a Medicina, os vírus estão por toda parte, e por isso é impossível saber a que hora um bacilo vai nos atacar. Consequentemente, as autoridades são muito exigentes em matéria de higiene, aconselhando-nos a conservar a limpeza, não comer nem beber em demasia, fazer gargarejo ao voltar da rua, lavar as mãos antes das refeições, tomar cuidado com os alimentos e outras medidas semelhantes. São tantas as advertências, que até ficamos saturados. Levar tudo isto em consideração é o mesmo que viver sob a constante ameaça de todos os tipos de perigos.
Quanto à pobreza e o aos conflitos, na maior parte dos casos provêm de problemas financeiros, que se originam do desequilíbrio entre o espírito e a matéria. Assim, é óbvio que, se não conservarmos o espírito e o corpo sadios, jamais conseguiremos a tranquilidade absoluta. Talvez as pessoas achem impossível consegui-la; contudo, se pudermos realmente obtê-la, não será uma maravilhosa Graça do Céu? Eu afirmo, sem qualquer sombra de dúvida, que é possível alcançar essa Graça.

Meishu-Sama, 10 de dezembro de 1952

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

BECO SEM SAÍDA - Ensinamento de Meishu-Sama

BECO SEM SAÍDA - Ensinamento de Meishu-Sama


Tanto os descrentes como os religiosos vivem a falar em crise. Isso demonstra que eles desconhecem a realidade das coisas.
Se é a crise que abre o caminho para o progresso, ela deixa de ser crise. Podemos compará-la à pausa para tomar fôlego, na corrida, ou aos nós do bambu. As varas do bambu se mantêm firmes devido à formação de nós no curso de seu desenvolvimento; se lhes faltassem nós, não apresentariam a sua reconhecida resistência. Quanto mais nós tem o bambu, mais forte ele é.
A natureza é sempre um bom exemplo. Observá-la minuciosamente facilita a compreensão da maioria das coisas.
Falávamos em crises que surgem naturalmente. Entretanto, existem muitas pessoas que entram em crise por falta de sabedoria e de capacidade para prever o futuro. Elas criam para si mesmas crises artificiais; ficam desnorteadas quando entram em um beco sem saída. Aconselho que todos atentem bem para este assunto, porque terão nele boas inspirações nos momentos críticos. Basta descobrir a falha que motivou a crise.
O homem precisa polir constantemente a sua inteligência. É por isso que os ensinamentos devem ser lidos tantas vezes quanto possível.

Meishu-Sama, 29 de outubro de 1952

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PESSOA SIMPÁTICA - Ensinamento de Meishu-Sama



Talvez não exista nenhuma palavra que soe tão agradavelmente quanto "simpatia". Pensando bem, a simpatia é muito mais importante do que imaginamos, pois tem muita relação não só com o destino do indivíduo, mas também com a sociedade. Se alguém se tornasse simpático graças ao relacionamento com uma pessoa simpática e iso se fosse propagando continuamente, é óbvio que a sociedade se tornaria bastante agradável. Por conseguinte, diminuiriam os problemas, principalmente o conflito e o crime; espiritualmente criar-se-ia o Paraíso. Não existe meio melhor do que esse, pois não requer dinheiro, não é trabalhoso e pode ser posto em prática imediatamente.
Falando, parece muito simples, mas todos sabem que, na realidade, não é tão fácil assim, pois não basta que a simpatia seja apenas aparente. A verdadeira simpatia aflora do interior; é indispensável, portanto que a pessoa seja sincera de coração, o que depende de cada um. Em suma, a base da simpatia é o espírito do Amor ao Próximo.
Vou contar um pouco da minha experiência a esse respeito.
É engraçado eu mesmo falar destas coisas, mas desde pequeno, onde quer que eu fosse, quase nunca era malquisto ou antipatizado. Pelo contrário, era respeitado e amado na maioria das vezes. Então, pensando bem, concluí que tenho uma característica que me parece ser o motivo disso: sempre deixo os meus próprios interesses e a minha própria satisfação em segundo plano; procuro fazer, em primeiro lugar, aquilo que satisfaz os outros, aquilo que os deixa felizes. Ajo assim não por razões morais ou religiosas, mas naturalmente. Talvez seja da minha própria natureza. Em outras palavras, é até uma espécie de hobby para mim. Por essa razão, muitos dizem que tenho uma natureza privilegiada, e é possível que tenha mesmo.
Depois que me tornei religioso, esse sentimento aumentou ainda mais. Quando vejo uma pessoa sofrendo por doença, não consigo ficar tranquilo; tenho vontade de curá-la a qualquer custo. Então ministro-lhe Johrei, e ela fica curada e feliz. Ao ver a sua alegria, esta se reflete em mim e eu me sinto feliz também. Por esse motivo, criei inúmeros problemas no passado e sofri muito. Mesmo quando achava que nada poderia fazer por uma pessoa e que deveria parar de dar-lhe assistência, a pedido insistente e até súplicas da própria pessoa e de sua família, eu cedia e continuava indo visitá-la, ainda que fosse longe. Gastava tempo e dinheiro, e, no final, o resultado era ruim, desapontando os familiares do doente. Muitas vezes, cheguei até a ser odiado. Toda vez que isso acontecia, eu me censurava, achando que deveria tornar-me mais frio.
Como essa minha característica também foi de muita ajuda para a construção do protótipo do Paraíso Terrestre e do Museu de Belas-Artes, creio que ela me tenha sido atribuída por Deus. Quando vejo uma magnífica obra de arte ou uma paisagem maravilhosa, não sinto vontade de apreciá-las sozinho e até fico melindrado; nasce em mim o desejo de mostrá-las a um grande número de pessoas, para alegrá-las. Dessa forma, minha maior satisfação é alegrar o próximo, o que me faz ficar alegre também.

Meishu-Sama, 21 de abril de 1954

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

TREINO DE HUMILDADE - Ensinamento de Meishu-Sama



Na vida, o treino de humildade é importante, constituindo uma pratica tradicional entre os religiosos. Observamos, entretanto, que falta humildade a muitos pregadores. Os velhos axiomas "O falcão inteligente oculta as garras" e "Quanto mais carregada de grãos, mais se curva a espiga" referem-se à humildade.
Orgulho, mania da grandeza, pedantismo e vaidade produzem efeitos negativos. O ponto fraco do ser humano é gosta de se exibir, tão logo comece a se elevar socialmente. Por exemplo, quando um homem que exerce uma profissão comum passa a ser respeitado dentro da vida religiosa, recebendo uma função de destaque, sendo chamado de "professor", "ministro", etc., poderá indagar a si próprio: "Será que sou tão importante?"
De início, ele se sentirá emocionado, feliz agradecido. Com o tempo, no entanto, terá ânsia de ver reconhecida a sua importância. até então tudo ia bem, mas, com esse novo pensamento, a pessoa começará a se tornar impertinente e desagradável, embora não tome consciência do que lhe ocorre.
Deus desaprova a presunção. Empurra as pessoas nas conduções, no meio da multidão, enfim, em qualquer lugar, para obter situação privilegiada, é falta de humildade, é uma atitude desprezível, que revela egoísmo.
Formar uma sociedade harmoniosa e agradável foi, em todas as épocas, ideal da verdadeira Democracia.

Meishu-Sama, 25 de janeiro de 1949

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

TEMPO É DEUS - Ensinamento de Meishu-Sama

Tempo é Deus - Ensinamento de Meishu-Sama


Tudo que existe, inclusive o que se relaciona ao Homem, é regido pelo Tempo. A delimitação do apogeu e da decadência subsequente, das mudanças históricas, das definições do bem e do mal, da justiça e da injustiça, tudo está subordinado a ele. Por esse motivo, o que agora é um bem daqui a alguns anos poderá ser um mal, e aquilo que hoje é considerado verdade poderá ser desprezado amanhã, por tornar-se falso. O passado nos mostra que as coisas que atualmente estão no apogeu um dia infalivelmente entrarão em decadência. Assim, pode-se dizer que não existe verdade nem mentiras absolutas, havendo mesmo um antigo provérbio que afirma que a justiça e a injustiça são como se fosse uma coisa só. Ambos conceitos, sem qualquer sombra de dúvida, são verdades.
Antes do término da Segunda Guerra Mundial, acreditava-se que não havia nada superior ao amor e à lealdade à Nação e ao Imperador. Mas como vivem, presentemente, aqueles japoneses que fizeram da vida um brinquedo? O resultado foi completamente contrário ao que se esperava: eles vivem agonizando sob trágico destino, de modo que o povo deve ter compreendido o quanto eles estavam errados.
É claro que a reviravolta ocorrida no fim da guerra foi obra do Tempo. A História não muito remota nos mostra outros exemplos. Com o advento das inovações trazidas pela Era Meiji, todos os senhores feudais, assim como os seus lugares-tenentes e outros elementos da Era Tokugawa perderam as suas posições. Até o cargo de ministro de Estado foi assumido por um homem do povo, quase desconhecido, o que lembra muito a situação atual. Mas como deverá ser encarada a decadência das classes privilegiadas, como as famílias imperais, os nobres e os milionários? Naturalmente, como obra do Tempo. Segundo os ensinamentos da fundadora da Igreja Oomotokyo, "nem Deus pode vencer o Tempo". Esta frase encerra uma profunda sabedoria e diz tudo. Por isso pensamos não haver nenhuma inconveniência em afirmar que o Tempo rege tudo o que existe sobre a Terra.
Pelas razões aqui expostas, não posso deixar de pensar que os homens precisam de ter muito mais interesse por essa categoria absoluta denominada TEMPO.

Meishu-Sama, 25 de junho de 1949 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

AGUARDAR O TEMPO CERTO - Ensinamento de Meishu-Sama

Aguardar o tempo certo- Ensinamento de Meishu-Sama



A minuciosa observação dos vários setores sociais mostra como é grande o número de fracassados.
Se o fracasso representasse sofrimento apenas para o próprio indivíduo, este poderia resignar-se, atribuindo a culpa à sua inexperiência e má sorte. Mas não é assim; a família também é atingida, há prejuízos para parentes e amigos, e o fato isolado acaba constituindo uma espécie de mal social. Logicamente, a pessoa não tinha intenção de prejudicar ninguém; no entanto, em decorrência de seu fracasso, muitas outras foram prejudicadas.
O problema não deve ser menosprezado. É preciso examiná-lo profundamente, pois, quase sempre, sua causa reside em fatores que passaram despercebidos.
De início, a pessoa concebe um plano, prepara-o cuidadosamente (pelo menos imagina que está agindo assim), mas, quando se entrega à execução da obra, as coisas não correm como pensava. Começam a surgir dificuldades e obstáculos, que lhe impedem o discernimento e descontrolam suas perspectivas de futuro. Essa é a trajetória habitual dos que fracassam. Vejamos a causa de sua derrota.
Podemos resumi-la numa frase: eles não levaram em consideração o tempo. Este, de modo geral, é um fator absoluto. Flores, frutos, produtos agrícolas, tudo tem seu tempo certo. Mesmo que as condições sejam favoráveis, se não forem levadas em conta as exigências da estação, isto é, do tempo, não haverá bons resultados.
As flores silvestres desabrocham na primavera, porque seus bulbos são plantados no outono; as flores dos jardins nos encantam do verão ao outono, porque seus bulbos e sementes são plantados da primavera.
Os frutos também têm sua época de amadurecimento. Não podemos sentir o seu sabor enquanto estão verdes; quando bem maduros, são deliciosos. Mesmo os produtos agrícolas, têm o seu tempo de amanho, semeadura e transplantação. E devem de estar de acordo com a terra e o clima.
Como vemos, a Grande Natureza ensina ao Homem a importância do tempo. Em seu estado original, ela é a própria Verdade, e por isso serve de modelo a todos os projetos do Homem. Eis a condição vital para o sucesso.
O Johrei, a Agricultura Natural e os outros princípios preconizados por mim, praticamente não fracassam; eles alcançam objetivos almejados porque se baseiam na Lei da Natureza.
Nunca me afobo quando planejo algo. Encaro o assunto com objetividade, examinando-o sob todos os ângulos, e ponho-me a refletir calmamente. Só me entrego aos preparativos indispensáveis, após me convencer de que o plano é correto e útil à Humanidade em todos os aspectos e possui sentido duradouro.
Acontece que a maioria das pessoas não têm paciência para esperar. Lançam-se à obra prematuramente, provocando desequilíbrio, e daí sobrevem o fracasso. Portanto, em todos os empreendimentos, o essencial é ter paciência para aguardar a chegada do tempo exato. As coisas possuem, infalivelmente, uma ocasião propícia. Com toda a razão dizem os velhos provérbios: "Se esperarmos, teremos bom tempo para navegar", "A sorte se espera deitado" e "Mire cuidadosamente para acertar o alvo".
Muita gente se impacientou com o meu sistema. Houve quem me apresentasse ideias e planos que, às vezes, eu prometia realizar. Como tardasse a executá-los, as pessoas reclamavam ou estranhavam. Quanto a mim, estava à espera do tempo adequado.
Os conhecidos aforismos "Agarre a oportunidade" e "Não perca a ocasião", confirmam o que estou dizendo.
Sentimos que estamos diante da ocasião propícia, quando, preenchidas todas as condições, passamos a sentir um forte impulso para executar o plano imediatamente. Tudo se processará, então, com facilidade, devido ao amadurecimento do tempo. Aguardando o tempo certo, estaremos poupando esforços e todas as coisas correrão bem. Em resumo, devemos refletir bem antes antes de agir. Por exemplo: se algo impede que uma pedra role morro abaixo, mas tentarmos empurrá-la, despenderemos muita força. Entretanto, se soubermos esperar pacientemente, o obstáculo irá sendo vencido pelo peso da pedra. Com o tempo, até o empurrão de um dedo a fará precipitar-se. É o que acontece com a oportunidade.
"Se o rouxinol não canta, esperarei até que ele cante". Esta frase foi dita satiricamente por Ieyassu Tokugawa, o fundador da dinastia Tokugawa, a qual governou o Japão durante trezentos anos porque ele soube dar tempo ao tempo.
Creio que o que dissemos é suficiente para compreenderem a importância do tempo. Nao Deguti escreveu: "Com o tempo nem Deus pode". Isso resume admiravelmente a verdade da questão.

Meishu-Sama, 25 de junho de 1949

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E POLÍTICA - Ensinamento de Meishu-Sama



Atualmente, a sociedade está repleta de males. Por toda a parte ocorrem factos desagradáveis, una após os outros; a intranquilidade das pessoas alcança o auge. É urgente, portanto, meditar muito, para encontrar a causa dos males sociais. de onde eles provêm? A quem responsabilizar?
Obviamente, a culpa não poderia deixar de ser da Religião, da Educação e da Política. A chave para a solução do problema é saber em que ponto está localizado o gravíssimo equívoco.

Em primeiro lugar tratarei da Religião.

Exceptuando o Cristianismo, as outras religiões tradicionais estão muito atrasadas. Inclusive o Budismo, que nasceu há mais de dois mil e seiscentos anos, visando o povo hindu, já não condiz com a nossa época, por mais importante que tenha sido Sakyamuni e por mais profundos que sejam os seus ensinamentos. Naturalmente, a situação é ainda mais grave com a sociedade japonesa actual. Os hindus daquela época faziam meditações diárias no interior das matas e liam milhares de livros sagrados para encontrarem a Verdade. Para os homens actuais, no entanto, que precisam de trabalhar da manhã à noite a fim de ganhar o pão de cada dia, isso é impraticável. É mesmo natural que, apesar de todos os seus esforços para se manterem activas, as religiões tradicionais nada conseguiam fazer além de proteger túmulos e lamentar a situação em que se encontram. Se elas se valem da assistência social como único meio para sobreviver, ninguém poderá negar que estão fora dos campos de actuação religiosa.

Quanto à Educação, também está muito distante do verdadeiro caminho. O seu real objectivo é formar homens íntegros, isto é, homens que façam da justiça o seu código de Fé e se esforcem para aumentar o bem-estar social, contribuindo para o progresso e a elevação da cultura. Na situação actual, porém, até mesmo os que se formam nas melhores escolas superiores praticam crimes e outras acções que prejudicam a sociedade. Urge fazer algo para modificar essas condições.
O maior erro da Educação é ser totalmente materialista. Estamos cansados de dizer que, se ela não evoluir juntamente com espiritualismo, não lhe será possível nem mesmo sonhar em atingir o seu verdadeiro objectivo. Entretanto, como esse erro vem de longa data, estamos conscientes de que enfrentaremos muitas dificuldade se tentarmos eliminá-lo bruscamente.

O ideal espiritualista é fazer reconhecer a existência do espírito, o que significa fazer reconhecer a existência de Deus. Sem isso, o espiritualismo não teria fundamento. Naturalmente a Religião encarregou-se disso até hoje, mas não obteve resultado visível, porque não havia uma religião com força suficiente para tanto. Nasceu, então, a nossa Igreja, dotada de força para fazer com que todos reconheçam o espiritualismo e com que a Religião e a Ciência caminhem lado a lado. Dessa forma, nascerá um mundo de eterna paz, onde todos poderão viver uma vida celestial. Se o progresso da cultura, por maior que ele seja, não promove, paralelamente, o aumento da felicidade, a culpa cabe ao próprio homem, que ficou preso apenas à cultura material. A Humanidade precisa perceber isso o quanto antes.
No que concerne à Política, a sua situação também é calamitosa. Tomarei por base exclusivamente a política japonesa, que, mesmo sob o domínio estrangeiro, é assaz medíocre. Sendo ela materialista, o seu conteúdo torna-se mais medíocre ainda. Podemos afirmar que não existem muitos políticos de visão ampla e que a maioria se restringe às tarefas do dia-a-dia. Isso acontece porque os seus espíritos estão maculados, de modo que, embora sejam políticos, eles não conseguirão, de maneira alguma, manter um desempenho desejável se não tiverem por base a Fé. Como as religiões tradicionais não têm força suficiente para modificá-los, a única solução é o aparecimento de uma religião nova e poderosa.

Meishu-Sama, 27 de Agosto de 1949


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A RESPEITO DO ATEÍSMO - Ensinamento de Meishu-Sama


" eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em Religião, colocando-me a mim próprio na posição de ateu."

Parece regra geral desenvolver o raciocínio do ponto de vista religioso, quando se escreve sobre ateísmo, mas eu pretendo discorrer sobre esse tema sem tocar em Religião, colocando-me a mim próprio na posição de ateu.
Quando uma criança nasce, o seio materno lhe fornece o leite para a sua nutrição. A criança cresce normalmente e os pais ministram-lhe alimentação adequada à primeira dentição. Assim, ela vai vencendo várias fases de seu desenvolvimento, até atingir a adolescência. A alimentação, portanto, é a base do crescimento. O Homem se nutre graças ao paladar. Creio ser esse o maior de todos os prazeres humanos.
O físico e também a inteligência vão se desenvolvendo gradualmente através da instrução e, na mocidade, o ser humano, está apto a exercer funções normais de um adulto. Surgem-lhe, então, diversas ambições, como a ânsia de poder, o espírito de competição e de progresso e, no plano físico, em forma de diversão, folguedos e namoros.
Dessa maneira, o homem está pronto para participar da vida social, característica de um ser superior, com os sofrimentos e as alegrias, que nascem da razão e do sentimento.
Consideremos, agora, a Natureza.
No Universo, não só os fenómenos visíveis, como o Sol, a Lua, as Estrelas, a Via-Láctea, a temperatura, o vento, a chuva, os animais, os vegetais e os minerais, que estão directamente relacionados com o ser humano, mas também os fenómenos invisíveis, tudo está sob acção e controle do poder da Natureza. Esta é a própria figura do mundo. Observando-a calmamente e sem ideias preconcebidas, qualquer pessoa - a menos que seja insensível - fica embevecida com o seu encanto misterioso.
A Natureza é dotada de mistério profundo e insondável. Grandioso é o Céu que contemplamos e ilimitada é a sua extensão. Como se apresenta o centro da Terra? Qual o número certo de estrelas, o peso exacto do globo terrestre, a quantidade das águas marítimas? Se começarmos a enumerar coisas e factos, não acabaremos nunca.
A especulação nos deixa abismados com o movimento metódico dos astros, a formação da noite e do dia, o fenómeno das estações, o sentido esotérico dos 365 dias do ano, a evolução de todas as coisas, o progresso ilimitado da civilização, etc. Quando surgiu este mundo? Qual a sua extensão? Ele é finito ou infinito? Qual o limite da população mundial? E o futuro da Terra?
Tudo permanece envolvido em mistério. Tudo caminha silenciosamente, sem a mínima falha ou atraso, obedecendo a uma ordem determinada.
Ainda nos deparamos com os seguintes problemas: Por que viemos a este mundo e que papel devemos desempenhar? Até quando poderemos viver? Voltaremos ao Nada, após a morte, ou existe o desconhecido Mundo Espiritual onde iremos habitar em paz? As reflexões sobre o assunto nos deixam ainda mais confusos, permanecendo tudo na obscuridade. Não há outro qualificativo a não ser os que dizem os bonzos: "A Realidade é um Nada, o Nada é uma Realidade."
Vasta, ilimitada e infinita é a existência do mundo. O ser humano, com a pretensão de desvendar este mundo misterioso, vem empregando todos os meios, principalmente, a pesquisa; apesar de seus esforços, só consegue conhecer uma pequena parcela dos fenómenos infinitos. Daí atinarmos com a insignificância da inteligência humana em relação à Natureza. É significativa a expressão "sombrio vazio", também citada pelos bonzos. Entretanto, a vaidade humana, em sua tola presunção, excede-se ao ponto de querer subjugar essa mesma Natureza. Sábio é o homem que, antes de mais nada, procura conhecer a si mesmo, submete-se a ela e participa das suas graças.
Analisando a Natureza sob o aspecto da vida humana e do ambiente que a rodeia, subsiste um enigma que sobrepuja todos os outros: "Quem construiu este mundo maravilhoso e o governa à sua vontade?" Ninguém poderá deixar de reflectir sobre o seu Criador, nem sobre o propósito com o qual foi construído um mundo tão esplendoroso. Procuremos imaginar esse Criador.
Um lar é governado pelo chefe de família; um país, pelo rei ou presidente. Logicamente, este mundo deve ser dirigido por alguém. Em que poderia ser senão o Ente conhecido como Deus? Não encontro outra conclusão. Por conseguinte, negar Deus significar negar o mundo em si mesmo. Tal lógica não permite dúvidas; se alguma pessoa duvidar, coloca-se num plano de obstinado preconceito. Nesse caso, assemelha-se aos irracionais: é desprovida de inteligência.
Nossa missão é extirpar do homem essa irracionalidade, transformando-o em verdadeiro ser pensante, numa verdadeira obra de reforma humana. Até mesmo o ateu deve convir que a grandiosidade do Universo e a perfeição cósmica só podem partir de um princípio perfeito: DEUS.

Meishu-Sama, 6 de Janeiro de 1954  

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

EXISTEM FANTASMAS? - Ensinamento de Meishu-Sama



Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Creio que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do Inferno Purgatório e Céu, da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
O que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no Mundo Material.
O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras "Tome assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço", proferidas nas cerimónias litúrgicas, significam que um espírito pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é, aqueles que conseguiram atingir os níveis da hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao local mais distante num espaço de tempo menor do que a milionésima parte de um segundo, mas o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas de espírito. Nessa oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra, numa letra ou no "Himorogui" (cruz feita de fibras de linho).
Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhe são oferecidos de coração, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de sentimento e realizá-lo de forma ideal de acordo com as condições materiais do momento.
Desde épocas remotas, fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas, mas na maioria dos casos trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados. O grau de densidade das células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de estranho, portanto, no facto, de muitos terem visto a Ressurreição e a Ascensão de Cristo. Porém, como o espírito de cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o espírito é purificado, ficando menos denso e, assim, mais difícil de ser visto.
Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem assim. Nele existem leis que são aplicadas rigorosamente, e a liberdade é limitada.
Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos.
Os fantasmas geralmente são retratados com a a expressão facial dos instantes da morte. Entretanto, com o decorrer do tempo a expressão do espírito vai mudando lentamente, amoldando-se à indole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os pessimistas e os solitários, tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demónio; os de pensamento vil ficam com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível encobrir o pensamento pela configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado, aparecendo exactamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos um ano após a morte.
Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência: "Quando o homem falece, o seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem tampouco existe o Mundo Espiritual; se existisse, já estaria repleto, pois o número de pessoas que faleceram atinge vários bilhões". Esse autor, apesar de ser um expoente do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito."

Meishu-Sama, 5 de Fevereiro de 1947

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A RESPEITO DO PARAÍSO TERRESTRE - Ensinamento de Meishu-Sama



Diariamente, através do rádio e dos jornais, tomamos conhecimento de que a sociedade está repleta de males. Numa visão a grosso modo, e excluindo a guerra, podemos enumerar a corrupção dos funcionários públicos, assassinatos, roubos fraudes, suicídios, tuberculose e outras doenças contagiosas, falta de alimentos, crises habitacionais, dificuldades financeiras, opressão de impostos, etc. As coisas boas são tão poucas quanto as estrelas do amanhecer... Então surge a dúvida: por que a sociedade chegou até esse ponto?
Realmente, pode ser que existam muitas causas, mas, em poucas palavras, diríamos que a situação é decorrente da decadência moral e também de acentuada decadência do nível do homem. É por isso que, ultimamente, os entendidos no assunto e os educadores começaram a interessar-se por essa questão. Outra causa que pode ser levantada é que, após a Segunda Grande Guerra, o pensamento liberal passou dos limites. Parece que se discute a reforma e incremento da educação, da moral e da educação cívica por não haver outra alternativa. Mas é interessante observar que, em tais ocasiões, o Japão nunca recorre à Religião, o que talvez possa ser explicado. As religiões antigas são fracas demais, e as novas, em sua maioria, são supersticiosas e falsas. É, por isso que, como todos vêem, ainda não se conseguiu achar um caminho que levasse à solução radical do problema. Eu, porém, elaborei um plano concreto, objectivando solucioná-lo de forma diferente.
Para começar, baseei-me nas diversões populares. Naturalmente, em qualquer época, a grande massa popular necessita de diversões. Na sociedade actual, entretanto, as que existem são de baixíssima categoria. De facto, teatro, cinema, desporto, cinema, xadrez, dominó, etc. são diversões aceitáveis, mas acho que se fazem necessárias recreações de nível ainda mais elevado. É com esse objectivo que a nossa Igreja está construindo o protótipo do Paraíso Terrestre nas terras de Hakone e a Atami. Com já descrevi várias vezes, aí será construído o paraíso ideal, onde se acham perfeitamente harmonizadas a beleza natural e a beleza criada pelo homem. Um projecto grandioso como esse, não creio que já tenha sido elaborado por alguém. Encantada com a atmosfera tão diferente do mundo a que está acostumada, qualquer pessoa, nesses locais, esquece-se de tudo e até pensa estar em cima das nuvens. Visto que isto acontece antes mesmo de termos concluído metade da obra, todos ficam maravilhados.
O protótipo de Hakone já está próximo de sua conclusão, mas como é uma obra de pequena escala, falarei a respeito do protótipo de Atami, em plena construção actualmente.
No jardim de cem mil metros quadrados, com altos e baixos, estão sendo plantados arbustos e árvores que dão flores, como ameixeiras, cerejeiras, azaleias, etc., mescladas com árvores que estão sempre verdes. Também está em fase de preparação a construção de um jardim com as mais diversas variedades de flores. Pela sua beleza encantadora na Primavera e pela paisagem da Baía de Sagami, que se pode avistar ao longe, não seria exagerado dizer que o protótipo de Atami é um enorme e ideal "Jardim do Éden".
Como localização, este protótipo do Paraíso Terrestre está situado no melhor local de Atami. Além do mais, para acrescentarmos maior beleza ao lugar, construiremos um magnífico museu de belas-artes, cuja conclusão certamente fará com que o protótipo de Paraíso Terrestre de Atami se torne alvo de admiração não só de japoneses como de estrangeiros. Por conseguinte, qualquer pessoa que visite esse local purificará o seu espírito maculado pelas condições do mundo, e a sua alma, completamente árida, será regada na própria fonte. Assim revigorada, seu trabalho renderá mais e naturalmente, seu carácter também se elevará. Por isso, a contribuição do protótipo do Paraíso Terrestre para o espírito das pessoas da sociedade será inestimável.

Meishu-Sama, 1 de Janeiro de 1952

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A DIALÉCTICA DA HARMONIA - Ensinamento de Meishu-Sama



Harmonia é um velho termo que impressiona bem e sugere um princípio da Verdade. Contudo, não deve ser aceite cegamente, pois, embora essa interpretação não esteja errada, é muito superficial. Sendo assim, precisamos aprofundá-la.
Tudo o que há no Universo acha-se em perfeita harmonia. Só há desarmonia para quem vê as coisas superficialmente - é um erro de ponto de vista. A desarmonia que se apresenta aos olhos do homem é apenas aparente. Isso porque ela é criada pelos homens e a sua causa é a acção anti-natural. Ou seja, do ponto de vista da Grande Natureza, a desarmonia decorrente da acção anti-natural é a verdadeira harmonia. Essa é a Verdade Absoluta.
Neste sentido, basta que o homem obedeça às Leis do Universo para que todas as coisas se harmonizem e progridam normalmente. Assim quando se provoca desarmonia, surge a desarmonia; caso contrário surge a harmonia. Nisto consiste a Grandiosa Harmonia da Natureza. Para ser feliz, o homem precisa aprofundar o seu conhecimento sobre o assunto. Temos tido frequentes provas de que, com o tempo, a desarmonia momentânea se transforma em harmonia e vice-versa. Essa é a realidade da vida e reclama profunda reflexão.
Sintetizando: a desarmonia é produto da visão estreita ("Shojo"); a harmonia, produto da visão ampla ("Daijo").

Meishu-Sama, 1 de Outubro de 1952

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

NÃO SE IRRITE - Ensinamento de Meishu-Sama



Diz um velho ditado: “Tolerar o que é fácil está ao alcance de todos, mas a verdadeira tolerância significa tolerar o que é intolerável”. Outro ditado aconselha: “Carrega sempre contigo o saco da paciência e costura-o toda vez que ele se romper”. Encontro boas razões nesses conselhos.
As pessoas me perguntam: “Que práticas ascéticas o senhor realizou? Subiu alguma montanha para banhar-se numa cascata, jejuou ou fez outras penitências?” Então esclareço que jamais pratiquei tais coisas. Todas as minhas “penitências” consistiram em tolerar a tortura das dívidas e reprimir a ira. Quem ouve, fica espantado, mas é a pura verdade. Creio que Deus determinou aperfeiçoar-me mediante purificações desse tipo, pois continuamente têm aparecido fortes motivos para eu ficar irritado. Por natureza, detesto irritar-me, mas há sempre alguma coisa que me afeta nesse sentido.
Certa vez, passei por tanta vergonha devido a um desentendimento, que mal conseguia encarar as pessoas. Minha indignação atingia o auge e eu não conseguia reprimi-la. Foi quando me fizeram um convite para comparecer a uma festa. Nas circunstâncias, o convite era irrecusável. Lá, entretanto, permaneci desligado, sem poder concentrar meu espírito. Tomei até uma dose de saké, para me descontrair. Isso demonstra como eu estava perturbado. Somente após alguns dias consegui recobrar a tranquilidade.
Mais tarde, vim a saber que a minha ida àquela festa salvou-me de uma grande desgraça. Se não fosse a indignação daquele momento, eu não teria comparecido a ela, e teria recebido um golpe fatal. Realmente fui salvo pela ira e não pude conter minha gratidão.
Quem tem missão importante, é submetido por Deus a muitos aprimoramentos. Creio que ter de reprimir a raiva, é uma das maiores provas. Aqueles que têm muitas razões para irritar-se, devem compreender que sua missão é grandiosa. Se conseguirem resistir a todo tipo de provocação, mantendo calma absoluta, terão concluído uma etapa do seu aprimoramento. (…)
Lembrem-se, pois, de que Deus treina e disciplina aqueles que têm grande missão a cumprir.
Gostaria de voltar ao assunto das dívidas.
Baseado na minha própria experiência, concluí que as dívidas são motivadas pela precipitação, que nos faz forçar situações.
Jamais devemos forçar uma situação. Se o fizermos talvez obtenhamos um êxito passageiro; entretanto, mais cedo ou mais tarde, seremos colhidos pelas consequências, enfrentando obstáculos inesperados. É possível, que após um rápido sucesso, nos vejamos forçados a voltar ao ponto de partida. Examinando as causas da derrota di Japão na Segunda Guerra Mundial, veremos que houve quem forçasse muito a situação.
Impor soluções e precipitar providências provoca desequilíbrio mental e impede as boas inspirações. Pior ainda é agir à força, de qualquer maneira, na falta de ideias. Só devemos tomar resoluções depois que surge a ideia apropriada, isto é, quando houver a certeza de que o plano concebido não vai falhar. Em outras palavras, é preciso aplicar o método: "Pense duas vezes antes de agir."
Quase sempre é muito difícil o pagamento das dívidas. Se elas se prolongarem, os juros aumentarão causando grande sofrimento moral.
Existem dívidas ativas e dívidas passivas. As ativas fazemo-las para investir em negócio rentável; as passivas, para cobrir prejuízos. Embora muitas vezes estas últimas sejam inevitáveis, não devemos contraí-las. Se formos vítimas de prejuízos, devemos abandonar toda a ostentação e falsa aparência, reduzir os nossos gastos e esperar que surjam novas oportunidades.
Também desejo chamar a atenção para um ponto importante: a ganância. Consideremos o velho ditado: "Quem tudo quer, tudo perde". Os prejuízos geralmente são causados pela ambição de ganhar demais. Não existe, neste mundo, o pretenso "negócio da China" que tantos vivem a propor. Desconfiemos desse tipo de negócio. O empreendimento que não parece grande oferece melhores perspectivas. Exemplificarei com a minha própria experiência.
Certa ocasião, eu precisava de dinheiro para saldar dívidas e impulsionar a obra religiosa. Não foi fácil consegui-lo; enquanto eu o desejava muito, não entrava dinheiro algum. Por fim, resignei-me deixando o problema nas mãos de Deus. Quando eu já estava esquecido de tudo comecei a receber inesperadamente grandes somas. Percebi, então que o mundo não pode ser explicado em termos de raciocínio comum.
Meishu-Sama, 25 de Janeiro de 1949

sábado, 10 de outubro de 2015

A ADVERTÊNCIA DOS ANTEPASSADOS: Ensinamento de Meishu-Sama


Os antepassados desejam a felicidade de seus descendentes e a prosperidade de sua linha familiar. Por conseguinte, não negligenciam sua guarda um instante sequer, impedindo-os de cometerem erros e pecados, ou seja, evitando que trilhem o mau caminho. Se um descendente, induzido pelo demónio, comete uma má acção, aplicam-lhe castigos na forma de acidentes ou doenças, não só como advertência mas também para a limpeza dos pecados cometidos anteriormente. No caso do enriquecimento ilícito por parte do descendente, fazem com que este tenha prejuízos, ocasionando, por exemplo, um incêndio ou outras formas de perda, que lhe esgotam a fortuna. Conforme o pecado, aplica-se também a doença como processo de purificação.
Suponhamos que uma criança contraia gripe. Uma gripe comum seria facilmente solucionada através do JOHREI; nesse caso, entretanto, não se verificam bons resultados. A criança tem vómitos frequentes, perda de apetite, acentuado enfraquecimento em poucos dias e acaba morrendo. É uma situação estranha, que se enquadra justamente no que falamos acima: advertência dos antepassados. As causas podem ser várias, entre elas o relacionamento amoroso do pai com outra mulher. Se ele não perceber na primeira advertência, poderão ocorrer-lhe sucessivas perdas de filhos. Estes são sacrificados por um prazer passageiro; trata-se, portanto, de uma conduta bastante reprovável. Os antepassados evitam sacrificar o chefe da família por ser ele o seu sustentáculo, de modo que os filhos tomam o seu lugar.
Vejamos outro exemplo. O chefe de uma família, homem de aproximadamente quarenta anos, nunca havia rezado perante o oratório de antepassados que havia em sua casa. Sua filha, preocupada, conversou com um tio, irmão do pai, e transferiu o oratório para a casa dele. Pensando no futuro, o tio foi à casa do irmão e pediu-lhe que reconhecesse, por escrito, a transferência do oratório, que havia sido transmitido por várias gerações e que estava agora sob a sua guarda. O irmão concordou, mas, quando pegou a caneta, sua mão começou a tremer em espasmos, sua língua contraiu-se e ele não conseguiu mais falar nem escrever. Tentaram vários tratamentos sem nenhum resultado, e por fim vieram a um discípulo meu em busca de cura. Lembro-me de ter ouvido dele a história que a filha desse homem lhe contara. No caso em questão, os antepassados não admitiram que o oratório fosse retirado definitivamente da casa do primogénito, que, por tradição, deveria guardá-lo. Se isso acontecesse, a linhagem da família ficaria alterada, podendo, então, ocorrer a sua extinção.

Meishu-Sama, 5 de fevereiro de 1947

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A CAUSA DAS DOENÇAS E O PECADO - Ensinamento de Meishu-Sama


A causa das doenças são os nódulos constituídos pela mistura de sangue sujo e pus, os quais se formam como reflexos das máculas do espírito. Mas de onde surgiram e como vieram essas máculas? Elas se originam dos pecados.
Há dois tipos de pecados: os gerados nesta vida e os hereditários. Estes últimos são o acúmulo global dos pecados cometidos por muitos antepassados; os primeiros representam a soma dos actos pecaminosos praticados pela própria pessoa.
Nós que vivemos actualmente, não somos seres surgidos do nada, sem relação com nada. Na verdade, representamos a síntese de centenas ou milhares de antepassados e existimos na extremidade desse elo. Somos, portanto, seres intermediários de uma sequência infinita, formando uma existência individualizada no tempo. Em sentido amplo, somos um elo da corrente que une os antepassados com as gerações futuras; em sentido restrito, somos uma peça como a cunha, destinada a firmar a ligação entre nossos pais e nossos filhos.
Para explicar as doenças causadas pelos pecados dos antepassados, preciso falar sobre a vida após a morte, isto é, sobre a constituição do Mundo Espiritual.

Ao deixar este mundo e passar pelo portão da morte, o homem tem de despir a roupa denominada corpo. Este pertence ao Mundo Material, e o espírito, ao Mundo Espiritual. Quando o corpo, devido à doença ou à idade avançada, torna-se imprestável, o espírito abandona-o e vai para o Mundo Espiritual. Aí ele deve se preparar para renascer no Mundo Material, ou seja, reencarnar. Este preparo constitui o processo da purificação do espírito.
A maior parte das pessoas carrega uma quantidade considerável de máculas, originadas dos pecados. Assim, quando são submetidas ao julgamento do Mundo Espiritual, feito com absoluta imparcialidade, a maioria acaba caindo no Inferno. Devido ao sofrimento da pena imposta, o espírito vai pouco a pouco se elevando, mas os resíduos da purificação dos pecados fluem contínua e incessantemente para os seus descendentes que vivem no Mundo Material. Isso é como uma lei redentora, baseada na causa e efeito, em que o descendente – resultado da soma global dos seus antepassados – arca com uma parte dos pecados cometidos por eles. Trata-se de uma Lei Divina inerente à criação; por conseguinte, o homem não tem outro recurso senão obedecer a ela. Esses resíduos espirituais fluem sem cessar para o cérebro e a coluna vertebral do descendente, e, penetrando em seu espírito, imediatamente se materializam na forma de pus, que é a origem de todas as doenças.
Agora vou falar sobre o segundo tipo de pecados, isto é, os pecados individuais, que todos entendem com facilidade.

Ninguém consegue viver sem cometer pecados. Estes podem ser graves, médios e leves, admitindo cada um desses tipos uma infinidade de classificações. Exemplificando, há pecados contra a lei, contra a moral ou contra a sociedade; pecados de natureza carnal, que se evidenciam nas acções do indivíduo, e também pecados psicológicos, cometidos apenas na mente da pessoa. Conforme disse Cristo, só o facto de desejar a mulher do próximo já constitui crime de adultério. É uma afirmação correcta, apesar de bastante rigorosa. Portanto, embora não se esteja violando nenhuma lei, pecados leves cometidos no dia-a-dia, os quais ninguém considera pecados, como ter raiva do próximo, querer que alguém sofra ou desejar adultério, se forem acumulados por longo tempo, acabarão assumindo proporções consideráveis. Vencer uma competição ou alcançar sucesso na vida, condutas que envolvem disputa e acabam provocando a inveja e o consequente ódio do perdedor, também constitui uma espécie de pecado, pois envolve o ódio. Matar animais, ser preguiçoso e desperdiçado, agredir as pessoas, não cumprir os compromissos, mentir, dormir demais pela manhã, etc., tudo isso são pecados que as pessoas acumulam sem saber. Essa infinidade de pecados leves, acumulando-se ao longo do tempo, refletem-se no espírito em forma de mácula. É comum pensar que os recém nascidos não possuem pecado algum, mas não é bem assim. Todos os homens, até se tornarem independentes, vivem sob a tutela dos pais e por isso devem dividir com eles a carga dos pecados. Poderão entender melhor este raciocínio fazendo uma analogia com as árvores: os pais constituem o tronco, enquanto os filhos são os galhos, e os netos, os galhos menores. Assim, é impossível as máculas dos pais não exercerem influência sobre os filhos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

SINCERIDADE - Ensinamento de Meishu-Sama



Para sabermos se uma pessoa age com sinceridade ou não, temos um meio muito simples: ver se ela respeita os seus compromissos. Deixar de cumprir os compromissos, parece - à primeira vista e em certos casos - coisa de pouca importância. Mas, na verdade, significa enganar e isso constitui uma espécie de pecado. Portanto, é assunto que merece a máxima atenção.
Um dos compromissos mais sujeitos a ser desrespeitado é o que se refere ao horário.
Pensemos no que ocorre quando somos impontuais. A pessoa que nos espera sujeita-se a todo o tipo de aborrecimento e preocupações. Há um ditado que afirma: "É melhor ser esperado do que esperar", mas pense de modo contrário. Devemos considerar o estado de ânimo daquele que nos aguarda. Quem não o leva em conta, não é sincero, e isso anula qualquer outra qualidade.
Como instrumentos de Deus, os messiânicos devem cumprir rigorosamente seus compromissos e respeitar pontualmente os horários. Não serão aprovados na Fé os que assim não procederem. Gravem isto na mente e jamais se esqueça desta advertência.

Meishu-Sama, 28 de janeiro de 1950

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