by **~~Love´s Alchemy~~**
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

DUAS TAREFAS AO MESMO TEMPO - Reminiscências de Meishu-Sama




Meishu-Sama sempre utilizava o tempo da melhor maneira possível, procurando empreender duas tarefas simultaneamente. 
Enquanto fazia caligrafias ou estudava Ate, alguém massageava-Lhe os ombros para aliviar o cansaço ou fazia a leitura dos jornais. 
Pode parecer, à primeira vista, que Meishu-Sama só conseguiu alicerçar a Obra Divina porque tinha um poder extraordinário. Mas foi aliando a Sua atenção para os detalhes do cotidiano, a perspicácia para os negócios e uma grande vontade de trabalhar que produziram os resultados alcançados atualmente.
Com o passar dos anos, o fundador de uma religião é normalmente adorado como um ser divino pelos seus seguidores devotados, considerados por outros, uma autoridade, e frequentemente citado em livros e conferências. Embora Meishu-Sama seja um ser de caráter Divino, era uma pessoa calorosa e familiar que abraçamos em nossos corações com muita proximidade. É verdade que Ele tinha uma qualidade espiritual especial e não podemos considerá-Lo do mesmo nível da maioria das pessoas. Antes da Revelação Divina, entretanto, Ele era simplesmente um ser humano que tinha atravessado inúmeras dificuldades desde a infância, sofrendo com a pobreza, doenças, adversidades e fracassos. foi depois de todas essas experiências com as quais Deus O estava 
preparando que Lhe foi revelada a Sua missão. Elas testaram Sua força e deram-Lhe uma profunda compreensão sobre os outros. 
Por isso, Ele nunca hesitou durante os primeiros anos de trabalho ou falhou com Seus seguidores. Muito pelo contrário, foi sempre um exemplo e uma inspiração para eles.

Reminiscência de Meishu-Sama por Sandai-Sama

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CONSCIÊNCIA PLENA DA VONTADE DIVINA - Reminiscências de Meishu-Sama


CONSCIÊNCIA PLENA DA VONTADE DIVINA - Reminiscências de Meishu-Sama

Recordo-me de que, embora parecesse bastante simples e natural, Meishu-Sama tinha consciência da Sua posição como religioso e vivia com base na verdade, com disciplina e bom senso.
Por muito tempo, eu julgava a pontualidade de Meishu-Sama como um hábito natural, uma característica de Sua personalidade.

Mais tarde, no entanto, percebi que Ele tinha se esforçado muito para se disciplinar.

Certa vez, Ele disse: “Como qualquer pessoa, às vezes, eu me sinto cansado e tenho vontade de descansar ao invés de trabalhar. Mas, se fizer isso, ao incentivar os membros a respeitar o horário, estarei mentindo!”Assim, aprendi que quando transmitia um Ensinamento aos outros era porque Ele sempre o seguia. Isso aumentou o meu respeito e gratidão por Ele. 

Meishu-Sama também costumava falar: “Atrapalhar o meu tempo é atrapalhar o trabalho de Deus”. Isso significa que, devido ao seu estado de perfeita união com Deus, Ele seguia uma autodisciplina bastante rigorosa. Afinal, se qualquer pessoa interrompesse a Sua programação, o Plano de Deus se atrasaria.

Acredito que Ele orientou-se, seguiu e cumpriu a Vontade de Deus no Seu dia a dia. Para quem pratica a fé é muito importante viver sempre de acordo com a Vontade de Deus. Mas, na prática, é difícil saber qual é essa vontade. Meishu-Sama orientava: “Basta fazer como eu faço. As coisas que não me agradam também não agradam a Deus, de forma que ser aprovado por mim significa ser aprovado por Ele.”

Assim, Meishu-Sama nos ensinava a Vontade Divina através das Suas práticas diárias.

Sandai-Sama

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

LEMBRANÇAS DE TAMAGAWA - Reminiscências de Meishu-Sama

LEMBRANÇAS DE TAMAGAWA - Reminiscências de Meishu-Sama
Meishu-Sama adorava esse cenário e, desejando apreciá-lo o tempo todo,
construiu uma casa anexa, o Fujimi-tei, voltada para o oeste.
Ele gostava tanto dessa casa que suportava do calor forte e
incessante do sol no verão ao vento gelado do inverno,
que se infiltrava por todas as frestas da casa, fazendo-O tremer de frio.
Por isso, preferia morar ali do que na casa principal.


Meu marido e eu moramos durante dez anos com Meishu-Sama no bairro de Kaminogue, distrito de Tamagawa, Tóquio. Recentemente, eu soube que, no Museu de Arte Goto, havia uma exposição de tyagama (panela de ferro para ferver e conservar quente a água utilizada na Cerimônia de Chá). Meu marido e eu fomos vê-la.

Esta seria minha primeira visita a este museu, embora ele não tivesse sido construído recentemente. Além disso, estava muito feliz com a perspectiva de apreciar objetos artísticos. Só que, na verdade, eu estava ainda mais ansiosa para rever o bairro. Pensava: “Como estará o local da nossa antiga casa? E os arredores da propriedade do senhor Goto, os antigos vizinhos?”

Conforme o nosso carro ia se aproximando do seu destino, eu sentia meu coração bater mais forte pela possibilidade de vislumbrar locais familiares: ruas, construções, alamedas... Eu estava com saudades daquele tempo querido.

Na realidade, aquela região estava sendo transformada em uma área residencial: ruas grandes e largas sendo abertas para todas as direções. Havia escavadeiras e betoneiras por todo lado, e quase mais nada que me fizesse lembrar o passado: sentia-me uma forasteira desorientada.

De repente, avistamos a Escola Primária de Tamagawa, que havíamos frequentado. Meu irmão exclamou, enquanto dirigia o carro: “Olha, é a Escola Primária de Tamagawa!” Subitamente, veio 
à minha mente a nossa velha escola. Percebi que ela conservava a mesma estrutura de antigamente, embora seu aspecto descuidado tenha me decepcionado um pouco. No entanto, fui envolvida por uma profunda nostalgia.

Depois passamos por locais conhecidos, como a antiga livraria, a tabacaria e a ponte perto da qual brincávamos. Pegamos uma avenida, antigamente deserta, que agora encontrava-se com um intenso tráfego. Através dela, chegamos ao lugar onde ficava o Hozan-so. No entanto, a casa não estava mais lá. O terreno havia sido loteado e se transformou numa área residencial de luxo, em que residiam algumas pessoas famosas.

Continuamos pela estrada por aproximadamente cem metros, percorrendo um lugar onde antes, ao longo de uma cerca viva, existiam enormes cerejeiras, castanheiras e cedros. Essas árvores proporcionavam um ambiente de profunda tranquilidade, devido à sombra que formavam. Hoje, elas desapareceram sem deixar vestígio: foram cortadas para dar lugar a uma rua comum, em 
cujo final, ergue-se o Museu de Arte Goto.

Após estacionar e subir as escadas, entramos no prédio  construído no estilo do Período Fujiwara (900 – 1185 D.C.), chegando a um local em formato de “U”. à frente, havia um gramado; do lado direito, uma sala de exposições e, à esquerda, uma sala de conferências. Observando o jardim por uma larga porta de vidro, notei que ele havia sido construído em um suave declive.

No passado, a topografia de toda a vizinhança era assim e o antigo Hozan-so não era exceção. Por isso, eu sabia que se seguissemos em direção ao sul chegaríamos ao lugar do Fujimi-tei,  residência 
de Meishu-Sama. Ele havia construído no final do declive um lago sobre o qual passava uma ponte de madeira em ziguezague, inspirada num dos trabalhos mais conhecidos do famoso artista japonês Korin Ogata (1658–1716), o Yatsuhashi.

Antigamente, havia grandes árvores japonesas em volta do lago e elas tinham tornado esse local seguro e úmido, ouvindo-se o coaxar dos sapos escondidos nas suas margens. Tinha sido um 
lar para aranhas de água e larvas de mosquitos, tanto quanto um paraíso para as crianças. Hoje, parece-me estranho que Meishu-Sama, que apreciava ambientes claros, tivesse deixado esse lugar 
completamente da forma como era. Talvez tenha sido pelo fato de Nidai-Sama querer que tudo permanecesse em seu estado natural, e Ele, sem opção, o tenha deixado assim, cedendo à firme 
vontade da esposa – o que é apenas uma suposição minha, mas me faz rir só de pensar.

Desse lago, se subíssemos pelo caminho da esquerda, sairíamos em frente ao Fujimi-tei. Lá em cima, observando o lado oeste num dia claro, era possível ver o céu, amplo e infinito; olhando para baixo, víamos as plantações verdejantes, os canais de irrigação, as construções rústicas do campo e estradas de terra. Um pouco mais adiante, corria o luminoso rio Tamagawa e depois avistava-se a cidade de Kawasaki. Nos dias ensolarados, era possível enxergar até a Cordilheira de Tanzawa, os Alpes Japoneses e o Monte Fuji.

Meishu-Sama adorava esse cenário e, desejando apreciá-lo o tempo todo, construiu uma casa anexa, o Fujimi-tei, voltada para o oeste. Ele gostava tanto dessa casa que suportava do calor forte e incessante do sol no verão ao vento gelado do inverno, que se infiltrava por todas as frestas da casa, fazendo-O tremer de frio. Por isso, preferia morar ali do que na casa principal.

No pôr do sol de tardes lindas e ensolaradas, uma languidez envolvia lentamente as cidades; as aldeias e as montanhas distantes apresentavam-se nítidas e bem delineadas. O céu, que até então 
estava meio esbranquiçado, ia, de repente, ficando com uma cor rosada, espalhando-se sobre o firmamento. As nuvens iluminavam-se, destacando suas orlas de ouro com um brilho deslumbrante, 
dominando todo o céu. Nesse momento, parecia que a Terra prendia a respiração e sua única opção era observar o grandioso espetáculo.

Hoje, compreendo a surpresa e a alegria que Meishu-Sama sentiu ao vir esse local pela primeira vez e como deve ter sido irresistivelmente forte o seu desejo de adquirir esse terreno de qualquer jeito, apesar de possuir apenas a décima parte da quantia necessária para a sua compra. Acredito que, mesmo nos dias atuais, por mais que procuremos por toda a cidade de Tóquio, jamais conseguiremos encontrar um local tão paradisíaco como esse. Meu coração ainda dói ao lembrar-me do sentimento de pesar de Meishu-Sama quando teve que abrir mão do Hozan-so para adquirir o Pote de Glicínias (que Ele tanto sonhava).

Sandai-Sama

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

O ALVORECER DE UMA NOVA ERA - Reminiscências de Meishu-Sama


Certo dia em 1931, quando morávamos no distrito de Omori, em Tóquio, Meishu-Sama recebeu de Deus a ordem para ir ao templo budista Nihon-ji, na província de Tiba. Imediatamente após Ele nos relatar o ocorrido, organizamos a viagem e no dia 14 de Junho, tomamos o trem em Ryogoku com um grupo composto por 28 discípulos.
Naquela noite, chegamos ao templo Nihon-ji, no Monte Nokoguiri, localizado a mais ou menos um quarto do caminho até o pico. Todos nós da comitiva fomos muito bem recebidos e tivemos momentos bastante agradáveis. Meishu-Sama e o Reverendo Tanaka, o monge superior do templo, conversaram até tarde da noite.  
Após descansarmos um pouco, levantamo-nos às 3 horas da manhã e nos preparamos para subir ao pico da montanha. Despedimo-nos do monge com um grande sentimento de gratidão pela calorosa hospitalidade que ele nos dispensou.
Como ainda estava escuro, levamos lanternas, mas na metade da subida, os primeiros raios do sol começaram a despontar ao leste. 
Naquela hora, o tempo ainda estava tão nublado que nos impedia ver alguma coisa em nosso caminho. Alcançamos, finalmente, o cume e, com nossos corações ligados a Deus, esperamos em 
estado de oração, o raiar do sol. Levou algum tempo até que o sol se levantasse brilhante através de neblina, envolvendo-nos numa atmosfera de grande esplendor. Com maior luminosidade, tivemos uma vista das planícies de Kanto e, bem a nossa frente, o monte Seitho, a montanha que também fora escalada por Nitiren, o fundador da religião Nitiren-Shu, uma ramificação do budismo.
A profundidade daquela situação é inexprimível. As palavras não são suficientes para traduzir nossas emoções. Parecia que estávamos numa esfera celestial e todos nós externamos o deslumbrante encantamento que surgia das profundezas de nossos corações.
Seguindo a liderança de Meishu-Sama, entoamos a oração Amatsu-Norito. Nessa ocasião, Ele recebeu a revelação sobre a Transição da Noite para o Dia e sobre a Sua grandiosa missão, tendo nos contado o acontecido posteriormente.
A misteriosa atmosfera que nos envolveu e a imensidão do que sentimos permanecem indeléveis em minha mente.

Nidai-Sama

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A SOCIEDADE HUMORíSTICA DE KANKU - Reminiscências de Meishu-Sama




Meishu-Sama tinha muitas inspirações artísticas e sempre estava planejando algo novo. Quando iniciava a composição de algum poema, por exemplo, dedicava-se inteiramente a esta realização, com zelo extraordinário. Quando começou a compor Tanka (estilo de poesia japonesa, composta de cinco versos, sendo o primeiro e o terceiro com cinco sílabas e os demais com sete), por não estar ainda habituado, ficava trabalhando até às 2 ou 3 horas da madrugada.

Além dos poemas tradicionais japoneses, Meishu-Sama estimulava seus seguidores a experimentar os poemas Kanku, mais fáceis de serem compostos. Posteriormente, o número de versos desse tipo 
de poema aumentou e sua temática passou a ser de humor. Com isso, acrescentou-se a palavra Warai, ficando Warai Kanku (poemas humorísticos).

Meishu-Sama dedicava-se ainda à prosa humorística, incluindo aforismos e paródias. Com isso, mostrava a necessidade do ser humano rir. Ele mesmo tinha um talento especial para irradiar 
alegria a Sua volta. Se um indivíduo quer fazer os outros rirem precisa ter jeito, inteligência e uma habilidade natural inata. Indiscutivelmente, Meishu-Sama reunia estas características. 
Mesmo quando vivíamos em Omori e as circunstâncias eram extremamente adversas, Ele se empenhou ainda mais para incentivar o riso entre as pessoas próximas, organizando uma sociedade humorística de kanku, a que deu o nome de Showa-kai (sociedade do riso feliz). Dessa forma, estimulava os Seus discípulos a superar as dificuldades e a seguir em frente.

Próximo à Sua residência, alugou uma casa para moradia dos missionários que faziam Seus trabalhos caseiros e se dedicavam diariamente à venda e expansão do nosso periódico na cidade de Tóquio e arredores. Essa casa funcionava com um posto de venda do nosso jornal Aizen. Naquele tempo, as pessoas ainda não compreendiam o real significado da missão de Meishu-Sama, ou de Seus ideais, repugnando nossas atividades.

No início, os membros tiveram inúmeras experiências difíceis, os jovens eram afastados, tratados como mendigos e expulsos de forma grosseira, muitas vezes, até afugentados por cães. Mas a verdadeira fé e o desejo sincero de trabalhar pelo bem toda a humanidade os incentivou com uma enorme determinação. Eles continuaram firmes em seus esforços e o periódico desenvolveu-se até se tornar o nosso jornal atual Eiko.

Foi para encorajar e alegrar essas pessoas que Meishu-Sama criou a “Sociedade do Riso feliz”. Organizava festas em que eram lidas as composições, algumas extremamente engraçadas. Além disso, o orador as lia de tal forma que essas reuniões geralmente eram bem mais divertidas que muitas comédias. Além disso, criava-se um ambiente de muita alegria, o que fazia os membros explodirem em convulsivas gargalhadas, fazendo os seus órgãos doerem de tanto rir. Eu mesma cheguei a ficar com dor nos músculos da barriga durante quase um dia inteiro. Meishu-Sama chegava a derramar lágrimas de tanto rir, limpando o rosto com frequência. E assim, progressivamente, ria cada vez mais de forma contagiante.

Meishu-Sama criava uma atmosfera de intensa alegria, fazendo com que todos os presentes esquecessem seus problemas diários e renovassem a esperança e a disposição para suas tarefas de cada novo dia. Inspirava-os a trabalhar mais e melhor pela causa Divina.
Nidai-Sama

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

SEM QUALQUER DESPERDÍCIO DE TEMPO - Reminiscências de Meishu-Sama



Meishu-Sama devotou-se de forma extraordinária à expansão da Obra Divina. Por esse motivo, não desperdiçava um minuto sequer, dedicando-se de corpo e alma ao cumprimento de Sua missão.
Ele planejava pormenorizadamente as tarefas diárias. Talvez pensasse que, se agisse de modo contrário, não conseguiria realizar tudo o que precisava fazer. Quando encontrava alguém, por exemplo, mantinha diálogos proveitosos. Jamais permitia conversas inúteis e sempre ouvia a pessoa com disposição e seriedade.
Como Meishu-Sama acreditava que era imperativo acompanhar os acontecimentos do mundo, programava as suas atividades de modo que pudesse ouvir os noticiários sem ser interrompido – enquanto tomava banho, cortava o cabelo, fazia a barba, as refeições, etc. Ele dava extrema importância a essas transmissões e aos comentários sobre a situação mundial, utilizando sempre os mais modernos meios de comunicação – na época: a televisão e o rádio. 
Sempre que Meishu-Sama fazia um passeio era acompanhado por um assistente que carregava um rádio portátil. Por exemplo, enquanto estava supervisionando a construção da casa de chá no centro do jardim Hekiun-so, sua residência em Atami, Ele ouvia o rádio. Assim, os carpinteiros sabiam pelo som, quando Ele estava chegando e começavam a trabalhar mais vigorosamente. O Seu rádio funcionava com um sinal de alerta para os trabalhadores.

Sandai-Sama

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

EM CONSTANTE ESTADO PARADISÍACO - Reminiscências de Meishu-Sama

Ao mudarmos para Tamagawa, Meishu-Sama caiu no desagrado da polícia devido a um acontecimento infeliz, que nos causou diversos transtornos posteriores. Como a casa que fomos morar era grande e chamava a atenção, certa manhã bem cedo, o delegado de polícia local veio nos dar as boas-vindas. Exatamente nesse dia, Meishu-Sama acordou um pouco mais tarde do que o habitual e ainda estava em Seus aposentos quando ele chegou. A pessoa que o atendeu disse que Meishu-Sama ainda estava deitado e o dispensou displicentemente.

Esta atitude desagradou o delegado, que se sentiu ofendido com a receptividade fria, pois viera especialmente cumprimentar Meishu-Sama e achava não merecer ser tratado com tanta desconsideração. Este caso, junto a outros, nos trouxeram vários aborrecimentos durante o tempo em que moramos em Tamagawa.

Outro ponto: a nossa residência foi adquirida com o dinheiro de um empréstimo e, ao assinarmos o contrato de venda, descobrimos que o proprietário havia firmado um outro contrato de venda com o Sr. Keita Goto, o que gerou um longo processo judicial. Assim, tivemos que fazer um depósito em juízo e o processo prolongou-se até pouco antes da ascensão de Meishu-Sama.

Socialmente, havia um bom relacionamento entre as famílias do Sr. Goto e a nossa. As esposas se davam muito bem, mas, devido ao surgimento do problema jurídico, houve um pequeno estremecimento na amizade. A aquisição do Pote de Glicínias, de Ninsei Nonomura (renomado ceramista japonês que viveu no final do século 17) por Meishu-Sama foi fundamental na reconciliação das famílias e na resolução da pendência judicial.



Em 1937, a atividade religiosa foi proibida de ser exercida junto com a terapêutica e, sem opção, tivemos que desenvolver somente o trabalho de cura. Afinal, o método terapêutico de Meishu-Sama 
produzia resultados tão miraculosos que os pacientes chegavam a ser mais de cem diariamente. Por isso, embora tivesse assistentes e auxiliares, o programa pessoal era muito pesado e Meishu-Sama frequentemente ficava sem almoçar. Com o passar do tempo, foi-se evidenciando uma fadiga cada vez mais forte e, não somente eu, mas todos estavam preocupados com Ele.

Certa tarde, ao voltar do Fujimi-tei (o Seu local de trabalho de onde se avistava o Monte Fuji), serviu-se de um cálice de saquê. Após tomar o primeiro gole, empalideceu e desmaiou. Depois desse episódio, começamos a pensar que alguma coisa precisaria ser feita para aliviar o ritmo de Suas actividades.

Enquanto isso, começaram a surgir comentários de que a prática terapêutica estaria prestes a ser proibida. Antecipando-se a essa ordem, Meishu-Sama decidiu parar com tudo e, através de uma 
carta, comunicou a Sua decisão à delegacia de Tamagawa. Os policiais não conseguiram disfarçar a surpresa ao recebê-la.

Tal decisão causou uma grande reviravolta nas actividades de Meishu-Sama, porém nós a consideramos providencial, não só pelo desenvolvimento de Sua missão, mas pela oportunidade de 
preservação de Sua saúde.

Depois da interrupção da prática terapêutica e do atendimento ao público, Meishu-Sama dedicou-se à formação de missionários que O auxiliariam na expansão de Sua missão e também à pintura de desenhos de Kannon, fundando a Associação Kannon Hyappuku Kai.

Geralmente, quando terminava o trabalho pela manhã, Ele almoçava e saíamos para um passeio pelas planícies de Musashino, ou até às margens  do rio Tamagawa.

Enquanto andavávamos, Meishu-Sama falava a respeito das Suas ideias sobre a Sua missão e das construções que planejava realizar. Ele era bastante otimista com relação ao futuro: eu jamais consegui descobrir Nele qualquer ponto negativo. Apesar de estar passando por muitas dificuldades e sofrimentos, nunca proferia uma palavra desagradável. Sinto que Ele foi realmente um homem que vivia no Céu e com Seu pensamento ligado a 
Deus. Um ser que vivia em constante estado paradisíaco. Penso que nós todos deveríamos seguir o seu exemplo.

Nidai-Sama

O CULTIVO DA AGRICULTURA NATURAL - Reminiscências de Meishu-Sama


Enquanto Meishu-Sama viveu no Hozan-so em Tamagawa, plantou mudas de flores, chá e legumes no amplo terreno da propriedade. Utilizando um espaço em que havia água corrente, transformou-a num arrozal. Além disso, preparou uma pequena horta, em que plantava várias verduras, aproveitando para estudar a consistência e a natureza química do solo. Ele mesmo fazia 
parte do trabalho, estimulando, dessa forma, os jovens à prática agrícola.

No começo, não demos muita atenção a esse projecto. Mais tarde, percebemos que Meishu-Sama, se dedicava a ele com muito empenho e carinho quando estava livre. Na verdade, estava trabalhando de acordo com um plano bastante profundo.

“Este é um produto cultivado pelo processo natural. Não é delicioso?” – perguntou-nos orgulhoso depois que a primeira safra chegou. Os produtos eram realmente bons e saborosos. Foi somente depois de muitos anos de estudo, realizando pesquisas, que Meishu-Sama chegou à conclusão de que o seu método natural de cultivo era o melhor. Por isso, começou a difundi-lo amplamente na sociedade, o que gerou a Associação para Expansão da Agricultura Natural. As Suas ideias foram adoptadas por muitos fazendeiros, membros e não membros em todo o país.

Nidai-Sama

A VONTADE DE ALEGRAR AS PESSOAS - Reminiscências de Meishu-Sama


Meishu-Sama sempre aguardava ansiosamente a visita do mestre de cerimónia do chá, da escola Kankyu-An, de quem eu era aluna. Ele preparava pessoalmente os utensílios a serem utilizados durante a cerimónia, assim como as flores. O Seu perfil se encaixava perfeitamente no de um praticante dessa arte, embora Ele não o fosse. Mas, no exacto momento de saborear o chá, Ele sempre estava lá.

Assim que o mestre chegava para me ministrar a aula, Meishu-Sama mostrava-lhe os objectos de arte recém-adquiridos. Pedia explicações sobre quadros antigos de caligrafias e perguntava como se liam os ideogramas. Descontraidamente, o meu professor fornecia informações, elogiava as peças e, algumas vezes, fazia restrições a certas obras. Ensinava-Lhe, portanto, sem nenhum rodeio. 

Meishu-Sama ficava feliz quando conhecedores do assunto apreciavam as obras por Ele coleccionadas. Sentia-se motivado quando pessoas, como o mestre do Kankyu-An ou o mestre de Nagauta (espécie de poema longo cantado, bastante popular na Era Edo; canta-se acompanhado por um Shamisen, instrumento de cordas), Kozaburo Yoshizumi, se deleitavam com as peças da sua colecção.

Ele não as exibia logo, gostava de criar um clima antes de apresentá-las. No início, como eu desconhecia essa estratégia, antecipava-me e as mostrava aos convidados. Visivelmente zangado, Ele dizia: “Há uma ordem a ser seguida. Você não pode agir por conta própria!” Era como se houvesse um roteiro pré-estabelecido: primeiramente, despertava a curiosidade do “espectador”; em seguida, explicava sobre o “espectáculo” e, no momento adequado, apresentava a “peça”.

Meishu-Sama também era sempre rigoroso ao nos ensinar o correcto manuseio das obras. Éramos repreendidos, por exemplo, quando não tínhamos o devido cuidado com as peças de Maki-e (artesanato em laca).  

Nidai-Sama

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CONFIANÇA EM DEUS E NOS HOMENS - Reminiscências de Meishu-Sama



Uma das maiores virtudes de Meishu-Sama era confiar nas pessoas incondicionalmente, sendo essa uma das razões porque era amado e respeitado por todos.

Ele repreendia com rigorosidade os erros cometidos pelos servidores, mas ninguém se queixava. Ao contrário, a pessoa que dizia “Meishu-Sama chamou minha atenção...” demonstrava alegria, pois sabia que Meishu-Sama confiava nela e lhe desejava verdadeiro crescimento. 
Ele tinha uma atitude franca e sincera com os indivíduos, mesmo com aqueles que encontrava pela primeira vez, porque acreditava realmente que todos os homens são filhos de Deus e respeitava a 
personalidade de cada um.

A Sua compreensão e natureza carinhosa eram expressas, desde a época em que era comerciante, pelo modo singular com que tratava os empregados.

A Sua fé em Deus ficou comprovada quando Ele decidiu deixar o mundo empresarial para devotar-Se inteiramente ao trabalho espiritual. Com esta mesma firme confiança em Deus, Ele persistiu até construir o Protótipo do Paraíso Terrestre e completar integralmente a missão que Lhe foi confiada por Deus.

Nidai-Sama

OBJECTIVIDADE E INOVAÇÃO - Reminiscências de Meishu-Sama


Meishu-Sama era bastante directo em tudo, tinha aversão à falsidade e à ostentação. Também se aborrecia com a minha atitude de dizer aos convidados que se preparavam para ir embora: “Não 
vão ainda. fiquem mais um pouco”.

Outro hábito que O aborrecia era quando, numa refeição, a pessoa dizia estar satisfeita e eu lhe oferecia mais um pouco de comida. 
Nessas ocasiões, Meishu-Sama falava na frente do convidado: “Ele já não disse que está satisfeito? Então, pode tirar a mesa.”

Constantemente, penso que falar assim, décadas atrás, significava que Meishu-Sama era um inovador.

Ás vezes, eu Lhe falava: “Meishu-Sama, o senhor é uma pessoa avançada para a época”. Ao que Ele respondia: “Não sou não. As pessoas é que são retrógradas.” Eu prosseguia: “O nosso padrinho de casamento dizia que o senhor era meio esquisito...” Ele retrucava, encerrando o assunto: “Muito pelo contrário: eu sou normal, os outros é que são esquisitos.”

Nidai-Sama

ENSINAMENTOS NA PRÁTICA - Reminiscências de Meishu-Sama



Frequentemente, Meishu-Sama abordava sobre a dificuldade de colocar as palavras em acção, dizendo ser muito difícil, realmente, viver de acordo com os Seus Ensinamentos: “Aquele que consegue agir exatamente como oriento é realmente um herói”.

Ele próprio era um homem de acção e, quando nos dizia algo, é porque já estava praticando. Muitas pessoas que O conheciam bem expressavam a sua admiração por essa qualidade. Uma delas, certa vez, revelou: “Eu já conheci muitos homens ilustres, mas nunca alguém que transformasse suas palavras em ação como Meishu-Sama. Muitos falam com frequência sobre seus planos, mas são poucos os que se empenham na sua realização sem perda de tempo. Eu penso que é por isso que Meishu-Sama realiza um trabalho tão grandioso como este.”
Sendo um “Edoko” típico (como Edo é o antigo nome da capital do Japão, trata-se das pessoas nascidas e criadas em Tóquio), Meishu-Sama trabalhava rápido e energicamente. Estas qualidades eram características dos “Edokos”. Assim, era habitual para Ele terminar num ano o que outras pessoas levariam dez para fazer.
Prova disso tudo era a Sua coleção de obras de arte. Ele reuniu inúmeras peças de alto valor artístico num espaço de tempo incrivelmente curto. Quando as pessoas tomavam conhecimento desse facto, ficavam abismadas e adquiriam ainda mais respeito por Ele. Afinal, não era difícil reunir inúmeros bons objetos de arte desde que se tivesse muito dinheiro e tempo para investir. Mas a quantidade e a qualidade das obras da Sua aquisição, reunidas de forma tão rápida, impressionavam qualquer colecionador e o faziam se destacar das pessoas comuns.

Nida-Sama

A IMPORTÂNCIA DA DECISÃO IMEDIATA - Reminiscências de Meishu-Sama




Logo que uma ideia lhe ocorria, imediatamente Meishu-Sama a colocava em prática. Penso que seguir esse Seu exemplo é muito bom para a saúde mental de qualquer pessoa. Se um indivíduo 
tem alguma ideia ou plano é melhor começar logo, ao invés de segurá-los na mente, imaginando quando deveria falar ou executá-los. Se não os liberamos, tornam-se uma carga mental. Falando, agindo sobre uma ideia ou pedindo a alguém que faça alguma coisa sobre ela, libertamos a mente e podemos partir para o próximo projecto ou ideia.

Procrastinar uma decisão leva ao stress. Além disso, corre-se o risco de esquecer o verdadeiro objectivo. O princípio da decisão imediata é o princípio da higiene mental, isto é, a acção da purificação mental natural. Se alguém permanecer nessa condição mental poderá empreender muitos trabalhos durante sua vida.
Meishu-Sama conservava sua mente sempre alerta durante um passeio, tomando chá ou conversando com outras pessoas. Nunca permitia que a sua mente ficasse exausta ou distraída. Eis uma das 
razões de ter realizado tantas coisas na vida.

Além disso, Ele estava sempre pensando no que ia fazer, mesmo durante as suas caminhadas. Agia igual ao lutador de Kendo (arte milenar japonesa semelhante à esgrima), que nunca deve vacilar.
Nidai-Sama

UM FACTO MISTERIOSO E PROFUNDO


Em 1961, por ocasião da minha visita missionária ao sudeste do Japão, enquanto proferia uma palestra sobre Meishu-Sama numa Igreja, uma vidente disse ter visto uma bola sair de dentro de 
mim e transformar-se na figura de Meishu-Sama, que andou em direcção à Sua fotografia. 
Segundo ela, Ele trajava belas vestimentas cinza claro com desenhos de nuvens, bordados em dourado. Sorria o tempo todo e ouvia minhas palavras com ar de aprovação. Isto significa que a minha alegria se transforma imediatamente na alegria de Meishu-Sama.

Nidai-Sama

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A CONSTANTE BUSCA DAS CAUSAS

Todas as noites, Meishu-Sama recebia relatórios sobre os  acontecimentos diários da Igreja. Quando percebia que não havia progresso por um bom tempo, uma diminuição no número de pessoas recebendo Johrei, frequentando os serviços ou aderindo à Igreja, ele mandava chamar o responsável pela unidade para se informar sobre as causas. Ele dizia: “Isso não é bom. Não deveria ser assim. Deve haver alguma razão”. 
Pessoalmente averiguava a causa e, assim, orientava o responsável sobre como agir para corrigir a situação. Quando a orientação era cumprida, a unidade voltava a crescer. Situações como essa repetiam-se com frequência e, seguindo o mesmo método, nosso trabalho expandiu-se com solidez.

Nidai-Sama

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PROFUNDO AMOR ALTRUÍSTA - Reminiscências de Meishu-Sama


Meishu-Sama era bastante rigoroso com os familiares e servidores, combinando a firme atitude de um pai consciencioso com a atitude carinhosa de uma mãe dedicada. Isso gerava uma impressão agradável a todos que O conheciam.
Independentemente da situação ou de quem estivesse envolvido, Ele não admitia o favoritismo nem atitudes ambíguas. Jamais era parcial. Também não deixava passar algo despercebido. Se alguém cometesse alguma falha, Meishu-Sama repreendia com firmeza, demonstrando a profundidade do Seu amor altruísta. A Sua bondade, carinho e sinceridade de ajudar os outros a crescer era captado por quem fosse repreendido. Assim, ao invés de se abater por muito tempo ou ficar aborrecida, a pessoa sentia sincera gratidão por ter-lhe sido mostrado o caminho correcto e logo readquiria o ânimo para se empenhar mais eficientemente.
Ainda hoje me recordo de suas palavras, do seu sotaque claro e preciso, típico das pessoas naturais de Tóquio, e de suas brincadeiras irónicas no estilo de Bernard Shaw (1856-1950) – dramaturgo e escritor irlandês, um dos maiores nomes da literatura inglesa, cotado como um dos melhores críticos teatrais de sua geração). As lembranças ressurgem vivamente, estando gravadas em minha memória como uma grande saudade.

Nidai-Sama

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESPÍRITO FORTE E INDEPENDENTE - Reminiscências de Meishu-Sama



Se por um lado, Meishu-Sama tinha uma constituição física frágil e delicada, por outro possuía um espírito forte e independente. Desde a infância, Ele manifestava uma sobrenatural espiritualidade. Também possuía orelhas que fugiam ao padrão comum. No Japão, acreditava-se que quem tivesse os lóbulos das orelhas grandes e cheios, nascia sob “boa estrela” e teria sorte na vida.

Por conhecer estas prerrogativas, o dono de um grande moinho em Asakusa, desejando preservar a sua fortuna aos descendentes, pediu a Meishu-Sama que se casasse com a sua filha, tornando-se um yooshi (homem que, pelo casamento, passa adoptar o sobrenome da esposa).

Ele rejeitou de forma irredutível as ofertas desse senhor, causando um grande desapontamento aos Seus parentes. A sua resposta foi categórica: “Eu nunca mudarei o meu sobrenome e, sozinho, estou determinado a ter meu próprio lar e construir algo valioso”. Esta recusa demonstrou o Seu espírito forte e a concepção de objetivos elevados para a Sua vida.

Com o passar do tempo, apesar da saúde precária, Ele conseguiu descobrir o segredo de como alcançar o sucesso dignamente. Num aprimoramento constante, leu muito, estudou vários temas, aprofundou-se em estudos filosóficos, assistiu a conferências, etc. Como lhe incomodava a situação infeliz para a qual a sociedade estava caminhando, contribuía mensal e significativamente para o Exército da Salvação, em apoio às atividades filantrópicas desenvolvidas pela entidade. Certa vez, foi questionado por um alto oficial do Exército da Salvação do Japão, Sr. Gunpei Yamamuro: “Por que o senhor contribui mensalmente com um valor tão substancial para o Exército da Salvação se nem mesmo é cristão?” Ao que Meishu-Sama respondeu: “Porque vocês trabalham pelo bem da humanidade”. Demonstrava, assim, com exemplos, a Sua constante preocupação e amor ao próximo. Ele empenhava-se constantemente em melhorar a sorte dos outros.

Um exemplo disso aconteceu quando Ele estava preparando-se para devotar a Sua vida exclusivamente às atividades espirituais: dividiu generosamente entre os Seus empregados, a Sua loja de miudezas, que vinha desenvolvendo com sucesso e que era fruto de um árduo trabalho de muitos anos. Desde a infância, pressentia-se que Meishu-Sama se tornaria um grande Líder Espiritual, o que se concretizou com a fundação da Igreja Messiânica Mundial em 1º de Janeiro de 1935.


HONESTIDADE EM PRIMEIRO LUGAR - Reminiscências de Meishu-Sama




Aos 25 anos, com um capital de dois mil ienes, Meishu-Sama abriu uma loja de miudezas em Tóquio, na Rua Nishinaka, Nihonbashi, e deu o nome de Korin-do, em homenagem ao famoso Korin Ogata (1658-1716), o artista japonês mais admirado por Meishu-Sama. 

Nesse tempo, Ele vivia com a Sua mãe, pois o Seu pai já havia falecido e decidiu que, sozinho, enfrentaria a responsabilidade do negócio: o armazenamento dos estoques, a venda das mercadorias, a parte administrativa, enfim, todas as atividades do empreendimento. 

Ao me descrever o negócio, contou que levantava-se muito cedo e limpava a rua em frente à loja, antes que as pessoas começassem a transitar. Depois varria e espanava a loja, preparando diariamente o ambiente de trabalho. Disse também que desempenhava as funções de três pessoas – proprietário, vendedor e aprendiz – e atendia a todos os fregueses com cortesia e consideração, indistintamente. Agradecia desde o fornecedor até uma criança que comprava uma simples presilha para cabelo.

Quando abriu a Korin-do, um parente, com muita experiência, aconselhou-o: “Ninguém pode ter sucesso no comércio com uma política de total integridade. Nos negócios, ser honesto não é suficiente para prosperar; você não pode se deixar levar por dívidas de gratidão, pela compaixão e pela amizade.” Meishu-Sama até tentou seguir o que essa pessoa Lhe disse, mas acabou achando que era impossível seguir tal conselho e prosseguiu de acordo com os Seus próprios princípios.

Uma vez, o chefe da divisão de compras de aviamentos da Mitsukoshi (uma das maiores e mais antigas lojas de departamento do Japão) chegou a Meishu-Sama e pediu: “Há pouco tempo, eu fui nomeado chefe de divisão e sei muito pouco sobre aviamentos. Apreciaria enormemente qualquer informação sobre este assunto, em lojas especializadas neste ramo e qualquer detalhe a mais que o senhor possa me ensinar.”
Meishu-Sama respondeu: “Eu mesmo não tenho muita experiência, mas terei imensa satisfação em contar-lhe o que sei”. Deu-lhe, assim, detalhadas informações sobre as particularidades e 
especialidades de várias lojas de miudezas, apontando algumas que eram excelentes em desenhos ou especializadas em certos artigos. Após as orientações recebidas, o chefe de divisão da Mitsukoshi agradeceu muito e foi embora.

Alguns dias mais tarde, voltou e disse a Meishu-Sama: “Hoje eu tenho um favor a lhe pedir. O senhor é um raro homem de negócios. A maioria das pessoas não teria falado comigo com a sinceridade que o senhor falou. Só de ouvir o nome “Mitsukoshi”, expressaria o desejo de negociar connosco. O senhor, no entanto, nem mencionou a sua loja. Ao contrário, ensinou-me gentilmente, elogiando e analisando os pontos positivos de outros estabelecimentos. Esta não é uma atitude comum de um comerciante, fiquei muito impressionado com sua extraordinária personalidade e gostaria que passasse a negociar connosco.”
Meishu-Sama declinou repetidas vezes desta oferta, explicando que a Sua loja era de retalho; mas diante de contínua insistência, acabou fechando um contrato com a Mitsukoshi. Esta transacção 
obrigou-o a mudar o ramo de actividade da Sua loja, passando-a de retalho para atacado.
A originalidade das Suas inovações e o Seu estilo comercial chamaram a atenção e cativaram a simpatia do público, rendendo-Lhe, assim, um enorme êxito.

 Nidai-Sama

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO LAZER - Reminiscências de Meishu-Sama



Quando Meishu-Sama terminava o Seu dia de trabalho, por volta das 16 horas, frequentemente solicitava a minha presença na loja para acompanhá-lo ao Teigueki (Teatro Imperial) ou ao cinema em Guinza ou Asakusa. Gostava muito de cinema e sempre organizava as actividades para que tivesse tempo disponível para poder ver novos filmes. 

Não era comum, naquela época, marido e mulher saírem juntos. Assim, chamávamos muito a atenção das pessoas, o que me inibia às vezes. Meishu-Sama não se importava com isso, pois sempre tinha seu pensamento à frente da maioria das pessoas. Nós vimos uma quantidade enorme de filmes ocidentais. Eu sempre me esquecia do que via, mas Meishu-Sama lembrava-se de todos os detalhes: do enredo aos nomes do realizador e dos actores. Durante a sessão, às vezes, Ele cochilava. Apesar disso, podia contar tudo sobre os filmes. Acredito que alguma parte da Sua mente continuava desperta enquanto dormia. Quando os filmes eram interessantes, Ele os assistia atentamente, observando os figurinos de perto e anotando cuidadosamente qualquer coisa que lhe desse alguma ideia para o Seu negócio.


Além de assistir e gostar de filmes americanos e europeus, Ele também gostava de ver shows japoneses, puramente cómicos, como havia em Asakusa. frequentemente o vi rindo de cenas engraçadas, com lágrimas escorrendo pela face.

Ele também assistia a peças populares. O Seu lazer era bastante diversificado, pois tinha interesse por tudo. No entanto, não via constantemente peças de teatro cabúqui, pois era necessário dispor de mais tempo para assisti-las e devido aos grandes actores não participarem mais delas. Mas ia com frequência ao teatro em Tsukiji. Afinal, gostava da interpretação de Sadao Maruyama.

Meishu-Sama ouvia com frequência música ocidental dos grandes clássicos, mas não apreciava as melodias tristes, nostálgicas e pesadas. Deliciava-se a ouvir o Messias (Haendel), Carmen (Bizet), Aída (Verdi), Guilherme Tell (Rossini), Orfeu no Inferno (Offenbach) e Danúbio Azul (Strauss), entre outras. Apreciava também célebres valsas, uma variedade de marchas e obras dos grandes compositores. fiquei surpresa a primeira vez em que O vi com um sobrinho, marcando alegremente com as mãos e os pés, o ritmo das músicas.
Quando havia algum concerto ou estreava uma peça de teatro ou companhia de ballet estrangeira, Ele era um dos primeiros a comprar o ingresso. Não apreciava somente a música e os espectáculos artísticos, mas também a atmosfera que sentia num teatro.

Nidai-Sama

SEMPRE À FRENTE DO SEU TEMPO - Reminiscências de Meishu-Sama



Ao transformar a Korin-do em uma loja atacadista, Meishu-Sama mudou o seu nome para Okada Shoten (Loja Okada) e empregou o Seu primeiro funcionário com participação de lucros. A Sua empresa foi crescendo gradativamente; as vendas alcançaram cifras enormes e o lucro dos empregados era tão grande que era difícil saber quem estava em melhor situação: se Meishu-Sama ou os Seus vendedores, que ganhavam mais que os vendedores de outras lojas. Isso grangeou-Lhe um grande respeito e fidelidade por parte dos Seus subordinados. Um dos seus primeiros vendedores, o Senhor Nagashima, que trabalhou na loja de Meishu-Sama por um longo tempo, mais tarde, estabeleceu-se por conta própria com grande sucesso, mas nunca esqueceu os seus tempos de empregado, orgulhando-se por ter tido Meishu-Sama como seu empregador. Até hoje ele vem me visitar e, por várias vezes, afirmou: “Meishu-Sama causou-nos uma impressão profunda de um patrão incomum. Durante todo o tempo que trabalhamos para Ele, sentíamos a sua intensa bondade e autêntica dignidade, que nos inspirava um grande respeito. Combinava firmeza e amor na Sua pessoa. Além dos nossos salários regulares, Ele adicionava uma percentagem proporcional à eficiência do trabalho de cada um. O Seu método era bem diferente do dos outros empregadores. A Sua profunda bondade e dignidade, aliadas ao senso de justiça, faziam dele um empregador adiantado no tempo e, por isso, era muito respeitado por todos nós.”
Nidai-Sama

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