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sexta-feira, 24 de julho de 2015

O SABER DAS COISAS: Ensinamento de Meishu-Sama



Creio que, em japonês, não há expressão de sentido mais profundo e subtil do que “mono o shiru” (o saber das coisas). Considero-a de difícil interpretação, por isso vou tentar esclarecê-la o melhor possível.
Analisando essa expressão, vemos que ela significa experimentar ilimitadamente tudo que existe no mundo, penetrar, captar a essência das coisas e exprimi-la de alguma forma. Ou melhor, descobrir o segredo de medir a acção e as consequências de determinado problema. Ao contrário, se alguém exibir teorias infantis, agir levianamente ou praticar acções sem perceber a censura e o desprezo dos outros, significa que não tem visão nem saber das coisas. Pertence ao grupo daqueles que se costuma chamar de imaturos, infantis ou grosseiros.
Esclarecido é quem possui vasto saber. Por aí vemos quão grande é o número de homens imaturos que não possuem esse saber das coisas, inclusive entre os homens públicos. Eles procuram exagerar e fazer alarde de questões insignificantes, sem se dar conta de que estão atraindo o desprezo dos esclarecidos. O seu comportamento nada mais é que a demonstração de sua própria inferioridade. Tais indivíduos são, infalivelmente, umas nulidades, homens de conceitos restritos (“Shojo”).
A eficiência e o crédito são sempre prejudicados pela acção dessas criaturas medíocres, empenhadas somente em elevar sua própria fama. Certamente é por causa de tantos elementos sem maturidade que não se consegue chegar a conclusões e resoluções mais rápidas nos debates políticos de hoje. Se a maioria fosse esclarecida, seria fácil um acordo. O problema é que os esclarecidos se retraem no silêncio, por detestarem discutir com gente teimosa. Os imaturos aproveitam essa oportunidade para se exibir, desejando tornar-se famosos, e a fama aumenta sua probabilidade de serem eleitos, por ocasião das eleições. Sendo assim, os menos esclarecidos representam a maioria, e os esclarecidos, a minoria. Uma prova disso é o facto e a necessidade de se passar longo tempo discutindo um problema – às vezes de somenos importância – para se encontrar uma solução.
Mas a verdade é que, apesar de os homens mais esclarecidos aparecerem menos, por serem modestos, suas opiniões acabam sempre triunfando. E isso não se limita ao mundo político. É natural, em todos os sectores da sociedade, que aqueles que são conhecidos pela sua competência sejam homens relativamente esclarecidos.
Até aqui me referi à parte moral. Passarei, em seguida, para o campo da Arte, que eu considero o melhor meio para explicar o presente assunto, já que a maioria dos homens esclarecidos são, ao mesmo tempo, dotados de senso estético muito elevado.
Exemplifiquemos, primeiramente, com o príncipe Shotoku, cujo vasto conhecimento sobre a cultura budista, principalmente na parte artística, ninguém poderá deixar de reconhecer. Temos a prova disso no Templo Horyuji e em outras construções, que ainda conservam o esplendor da sua magnificência. A sua famosa “Constituição dos 17 Artigos” pode ser considerada a base da lei japonesa.
Também podemos citar Yoshimassa Ashikaga, que, embora tenha sido muito criticado em outros sectores, na parte artística deixou-nos uma obra notável. Além de construir o Templo Guinkakuji (Pavilhão de Prata), foi apreciador da arte chinesa, tendo coleccionado objectos artísticos das eras Sung e Ming. Incentivou grandemente a arte japonesa, e as obras raras e valiosas criadas por sua iniciativa, conhecidas como “Obras preciosas de Higashi-yama”, ainda hoje deleitam o nosso senso artístico. O seu trabalho é realmente digno de louvor.
A maior honra, no entanto, desejamos conferir a Hideyoshi Toyotomi (unificador dos feudos, no ano de 1573). Ao lado de sua exuberante criação artística, intitulada “Momoyama”, devemos salientar o brilhante impulso dado por ele à arte da Cerimónia do Chá – cuja existência, até então, era obscura – protegendo Rikyu Senno, mestre da referida arte, naquele século. Graças a ele, houve um rápido desenvolvimento da cultura artística, e génios e grandes mestres surgiram uns após outros. Não fazem excepção Enshu Kobori e Chojiro, o génio da cerâmica. Este, como Ashikaga, além de obras japonesas e chinesas, coleccionou famosos objectos artísticos da Coreia, dando um novo impulso à cerâmica no Japão. Devemos lembrar, aqui, a existência de Koetsu Honnami. Ele foi pintor e calígrafo notável, tendo criado uma nova modalidade de “makiê” (arte que utiliza laca e madrepérola); na fabricação de cerâmicas, foi inimitável, graças à sua originalidade e versatilidade. A sua maior contribuição, que ele próprio não previra, foi ter influenciado, cem anos após seu falecimento, o famoso mestre Korin Ogata, expoente máximo do Japão no sector artístico, o qual foi admirador de Koetsu e o superou, conquistando grandiosa fama. Também não podemos omitir os oleiros Ninsei e Kenzan. Desta corrente surgiu Hoitsu, que se fez notar, também, pela sua habilidade artística.
A grandeza de Hideyoshi Toyotomi reside no facto de ter compreendido a Arte ainda na mocidade e coleccionado obras-primas, o que não deixa de ser algo surpreendente, dado que ele era filho de lavrador. Geralmente, além de crescer sob condições favoráveis, ou melhor, na classe acima da média, é necessário um grande esforço para se atingir o nível do “saber das coisas”. Hideyoshi, portanto, é de facto um homem extraordinário, pois atingiu esse nível apesar de sua origem humilde e de ter vivido continuamente em campos de batalha.
Lancemos, agora, uma vista sobre a arte literária.
Na poesia, sobressaem, indiscutivelmente, Saigyo e Basho. As obras destes dois expoentes revelam ter sido realizadas por quem realmente possui o “saber das coisas”. Nunca deixo de admirar estes poemas, suas obras principais:

“A solidão envolve
Até um coração indiferente,
Quando as narcejas levantam vôo do pântano,
Nos crepúsculos do outono.”
Saigyo (Waka)

“O canto das cigarras
Penetra no silêncio
E nas rochas.”
Basho (Haiku)

Uma pessoa que também merece ser lembrada é o aristocrata Unshu Matsudaira, conhecido pelo nome de Fumai. Ele coleccionou inúmeras obras de arte, classificou-as, protegeu-as da dispersão e deu impulso à Cerimónia do Chá. É digno de toda a nossa consideração.
Entre os esclarecidos da época moderna, citaremos o falecido actor Danjuro Itikawa.
Vimos, em linhas gerais, alguns dos principais representantes da arte japonesa considerados esclarecidos. São homens civilizados no mais alto grau, e é escusado dizer o quanto colaboraram para alimentar a alma do povo, enriquecendo-lhe o gosto estético e elevando-lhe os sentimentos. Naturalmente, todos sabem que as invenções, as descobertas e o progresso do ensino contribuíram para a cultura da humanidade, mas convém recordar a grande contribuição que, em silêncio, as obras dos esclarecidos trouxeram à civilização.


Meishu-Sama, 15 de agosto de 1950

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O SEGREDO DA BOA SORTE: Ensinamento de Meishu-Sama



Já escrevi a respeito em outras oportunidades, mas insisto sobre o assunto porque, quanto mais observo o mundo actual, mais vejo pessoas infelizes.
É desnecessário dizer que, desde a antiguidade, a boa ou má sorte do homem constitui a questão mais difícil que existe. Talvez o ser humano esteja fadado, desde o momento em que nasce até o momento em que morre, a nunca se libertar do desejo de obter a boa sorte. Isso porque geralmente não conseguimos compreender aquilo que mais desejamos. Seria maravilhoso se o conseguíssemos, mesmo que fosse um pouco. Felizmente, eu adquiri clara compreensão dos fundamentos para se alcançar a boa sorte. Além disso, pelas minhas próprias experiências, verifiquei que eles não contêm o mínimo erro, de modo que os exponho com toda a convicção.
Conforme todos podem observar, não existe nada mais vago, abstracto e difícil de ser obtido que a boa sorte, algo tão simples. Não estando ela ao nosso alcance, a única alternativa que temos, naturalmente, é esperar por ela. Daí, talvez, o nome sorte. Concordo com as palavras: “A vida é uma grande aposta”, pois até as pessoas consideradas sábias continuam a perseguir a boa sorte, embora pareçam ter perdido as esperanças de alcançá-la. Talvez esta seja a predestinação dos homens.
É unicamente pela vontade de alcançar a boa sorte que conseguimos fazer diversas coisas, seja qual for o sacrifício. Por esse motivo, também, é que “fazemos das tripas coração” e chegamos ao fim da vida sacrificando-nos para realizar nossos desejos. Assim, talvez, seja a vida. Não existe nada mais irónico que a sorte: quanto mais tentamos agarrá-la, mais ela foge. No Ocidente, existe um ditado que diz: “A oportunidade de obter a boa sorte só aparece uma vez na vida. Se a perdermos, não encontraremos outra”. É exactamente assim.
Pela minha longa experiência, sinto que sou constantemente ludibriado pela sorte. Às vezes parece que vou consegui-la facilmente, mas tal não acontece. Quando a vejo bem diante de meus olhos e estendo as mãos para alcançá-la, ela acaba escapando. Quanto mais a perseguimos, mais rápido ela foge. É realmente difícil lidar com ela. Mas eu consegui agarrar de facto aquilo que se chama sorte. Entretanto, o que complica a sua explicação é a existência de pontos desconhecidos que as pessoas dificilmente compreendem, salvo as que têm fé. Isto porque elas olham somente o lado superficial das coisas e não o seu interior; ou melhor, não o enxergam. E no caso da sorte, sua causa está justamente no interior; sem compreender isso, é impossível alcançá-la. Quando o homem movimenta o corpo, não é o corpo em si que se move; quem o faz mover-se é o espírito, que está dentro dele. Da mesma forma, o factor essencial da sorte está no interior do homem. Vou explicar melhor.
Em primeiro lugar, ampliemos a teoria acima. A parte superficial do mundo corresponde ao Mundo Material, e a parte interior, ao Mundo Espiritual, ou seja, o espaço invisível aos nossos olhos. Esta é a estrutura do mundo; assim o fez o Criador. Por isso, da mesma forma que o espírito move o corpo, o Mundo Espiritual move o Mundo Material. Em tudo, o Mundo Espiritual é soberano, e o Mundo Material, súbdito. Portanto, o mesmo acontece com a sorte; basta que ela advenha ao nosso espírito, que se encontra no Mundo Espiritual, para que, reflectindo igualmente na matéria, nos tornemos pessoas afortunadas.
Darei explicações mais detalhadas sobre o Mundo Espiritual.
Ele possui uma hierarquia muito mais justa e rigorosa que a do Mundo Material. É constituído de cento e oitenta camadas, distribuídas em três planos – Superior, Intermediário e Inferior – cada um composto de sessenta camadas. Naturalmente, o Plano Superior é o Céu; o Inferior é o Inferno; o Intermediário corresponde ao Mundo Material. Talvez o homem contemporâneo não acredite nisso de imediato; entretanto, como Deus me mostrou minuciosamente a relação entre o Mundo Espiritual e o Mundo Material, e, através de minha longa experiência, adquiri o mais profundo conhecimento sobre o assunto, não há o menor erro no que estou afirmando. Como prova disso, existem inúmeras pessoas que, acreditando nesse princípio e colocando-o em prática, conseguiram alcançar a boa sorte. Eu me incluo entre elas. Para se certificarem do que estou dizendo, basta que me analisem imparcialmente: constatarão o estado de felicidade em que eu me encontro.
Ampliando um pouco mais o assunto, falarei sobre as camadas espirituais mencionadas acima.
Se, conforme expus, o corpo físico do homem está no Mundo Material, e o espírito, no Mundo Espiritual, este deve situar-se numa das cento e oitenta camadas, a qual seria uma espécie de “residência” do espírito. Esta “residência” não é fixa; flutua constantemente para cima ou para baixo. Uma vez que o destino acompanha essa flutuação, o homem deve esforçar-se ao máximo para elevar-se às camadas superiores.
Naturalmente, o Plano Inferior é o Inferno; um mundo de trevas, repleto de doença, pobreza, conflito e figuras horrendas, assombrosas, monstruosas, com todos os tipos de sofrimentos possíveis. Em contraposição, quanto mais alta for a camada, melhor a sua condição. O Plano Superior é o Céu, local puro, de paz, luz, saúde e riqueza. O Plano Intermediário é mais ou menos a média entre os dois extremos. Consequentemente, se a “residência” do Mundo Espiritual reflecte-se na matéria e transforma-se em destino, é claro que o princípio fundamental da boa sorte está na elevação do nível espiritual.
Como nos mostra a realidade, existem muitas pessoas que, tornando-se importantes e invejadas por terceiros, ficam orgulhosas e pensam que continuarão assim eternamente. Um dia, porém, de forma inesperada, vêem-se decaídas, arruinadas, regredindo ao estado anterior. Isto acontece porque, desconhecendo o fundamento da boa sorte, elas se baseiam quase que somente na força humana. Além disso, maltratam os outros e forçam situações. Assim, mesmo que, aparentemente, obtenham êxito, seu espírito está decaído no Inferno. Em consequência, pela Lei do Espírito Precede a Matéria, essas pessoas passam a ter o mesmo destino. Da mesma forma que a matéria, o espírito tem peso, de modo que, se ele for pesado, cai no Inferno, e se for leve, sobe ao Céu. A conhecida expressão “peso na consciência” refere-se exactamente a isso.
Ao contrário das más acções, que maculam o espírito e o tornam pesado, as boas acções o tornam leve, fazendo-o elevar-se. Por conseguinte, o segredo da boa sorte é evitarmos o mal, não cometermos pecados e praticarmos o bem o máximo possível, tornando leve o nosso espírito. Por se tratar da Verdade, afirmo que não há outra maneira para alcançarmos a boa sorte.
Explicada dessa forma, a teoria é realmente fácil de ser compreendida; entretanto, quando vamos colocá-la em prática, torna-se muito difícil. Existe, porém, um método facílimo para conseguirmos isso. Esse método não é outro senão a Fé. Portanto, as pessoas que realmente desejam obter a boa sorte, antes de tudo e mais do que tudo, devem se converter.

Meishu-Sama, 3 de fevereiro de 1954



terça-feira, 14 de julho de 2015

SEJAM SEMPRE HOMENS DO PRESENTE: Ensinamento de Meishu-Sama


O homem deve progredir e elevar-se continuamente, sobretudo aqueles que possuem fé.
Entretanto, quando tocamos em assuntos religiosos, as pessoas costumam julgar-nos antiquados e conservadores. Não podemos negar que essa é uma tendência dos fiéis em geral; porém, com os messiânicos, dá-se justamente o contrário, ou melhor, eles devem esforçar-se para ser o contrário.
Observemos a Natureza. Ela procura renovar-se e progredir constantemente, sem um minuto de interrupção. O número de seres humanos aumenta de ano para ano. As terras vão sendo exploradas todos os anos. Vemos maiores e melhores vias de transporte - obras cuja construção demonstra crescente arrojo arquitectónico - e maquinarias cada vez mais perfeitas. As ervas e as árvores crescem em direcção ao Céu. Tudo isso mostra que nada regride.
Ora, se tudo continua evoluindo, é natural que os homens também devam evoluir continuamente, seguindo o exemplo da Natureza. Nesse sentido, eu mesmo faço esforço para elevar-me e progredir cada vez mais; este mês, mais do que no mês anterior; este ano, mais do que no ano passado.
Mas progredir somente na parte material, isto é, nos negócios, na profissão e na posição social, não passa de algo sem base, algo demasiado superficial, como uma planta sem raiz. É indispensável o progresso do espírito, isto é, a elevação da individualidade. Portanto, devemos prosseguir passo a passo, pacientemente, visando à perfeição, principalmente no que se refere à espiritualidade. Com a elevação gradual do espírito, a personalidade também florescerá e, sem dúvida alguma, essa atitude de contínuo progresso conquistará a confiança do próximo, facilitará os empreendimentos e tornará a pessoa feliz.
Os jovens da actualidade talvez encarem estas palavras como moral antiquada e já superada; entretanto, é pondo em acção tais palavras  que as criaturas poderão, verdadeiramente, ficar actualizadas. Os homens que não pensam e não agem assim, desejando evoluir apenas materialmente, ficam estacionados. Não progridem nem são progressistas. Parecem-me antiquadíssimos, observados deste ponto de vista. Seus pensamentos e assuntos são sempre os mesmos, não apresentam nada de especial. Palestrar com essas pessoas não me desperta nenhum interesse, pois elas se limitam a assuntos triviais, não falando de Religião, de Política, de Filosofia e muito menos de Arte.
O ideal seria que todos os fiéis da nossa Igreja se interessassem em progredir e elevar-se cada vez mais. Como visamos a corrigir a civilização errónea e construir um mundo ideal, os messiânicos devem procurar, nesta época de transição do mundo, ser sempre homens actualizados, vivendo em sintonia com o século XXI, que se aproxima.

Eis o sentido do meu costumeiro conselho: sejam homens do presente.

Meishu-Sama, 11 de Outubro de 1950

terça-feira, 7 de julho de 2015

A MISSÃO DO HOMEM: Ensinamento de Meishu-Sama



O homem veio à Terra com a missão de auxiliar na concretização das condições ideais do planeta, de acordo com o Plano Cósmico. Quando ele vive em conformidade com esse Plano, é naturalmente abençoado com a saúde, a felicidade e a paz, a que tem direito inalienável.
Infelizmente, pelo facto do homem ter se desviado da Verdade, ninguém está livre das máculas espirituais transmitidas de geração a geração, bem como das máculas geradas pelos seus próprios pensamentos e actos erróneos. Além disso, existem as substâncias artificiais, consciente ou inconscientemente introduzidas no corpo, que aumentam as máculas e, consequentemente, o sofrimento. Enquanto o homem não se libertar, purificando-se através da compreensão e do discernimento, continuará sofrendo.
Contudo, aqueles que dedicam o seu pensamento e trabalho ao servir à Causa Divina, não necessitam afligir-se durante o período de transição da Noite para o Dia, porque são necessários ao Plano Cósmico evolutivo.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

ESPÍRITO DE "IZUNOMÊ" - Ensinamento de Meishu-Sama


   
Já expliquei, inúmeras vezes, o que significa espírito de “Izunomê”. Vejo, porém, que é difícil praticá-lo, pelas poucas pessoas que o conseguem realmente. Na verdade não é tão difícil. Se conhecermos e assimilarmos o seu fundamento, não haverá dificuldades. A ideia preconcebida de que é difícil é que tolhe a ação. Ao mesmo tempo, como me parece que ainda não deram muita importância ao assunto, sou levado a escrever repetidas vezes sobre ele.

Em síntese, “Izunomê” significa “princípio imparcial”, isto é, manter-se sempre no centro. Não é “Shojo” nem “Daijo”: é “Shojo” e “Daijo” simultaneamente, ou seja, significa não tender aos extremos, nem decidir-se de maneira impensada.

Naturalmente não podemos fugir à decisão de determinadas questões, mas a dificuldade está no julgamento. O espírito de “Izunomê” assemelha-se à arte culinária: o alimento deve ser temperado na justa medida – nem doce, nem salgado. Assemelha-se também ao clima – nem quente, nem frio. É o clima agradável da Primavera e do Outono. Se os homens adotassem esse espírito e agissem de acordo com ele, seriam estimados por todos e tudo lhes correria bem. Entretanto, os homens de hoje mostram acentuada tendência ao radicalismo. Temos o melhor exemplo na Política. Os políticos professam princípios radicais, denominando-os de partido direitista ou esquerdista. Como esses pensamentos estão associados à obstinação, eles vivem em conflitos. E tudo isso prejudica grandemente o país e o povo.

O método “Izunomê” deveria ser adotado na Política; contudo, há pouca probabilidade de aparecerem políticos ou partidos que tenham consciência disso. A guerra origina-se, também, do choque gerado pela imposição de princípios extremistas.

Verificamos, através de pesquisas, que os conflitos religiosos também surgem de “Shojo” e “Daijo”, isto é, da diferença entre o sentimento e a razão. Nesse caso, deve-se estabelecer a união encurtando a linha perpendicular e a horizontal pela metade, o que significa uma solução pacífica. Assim, não é difícil entrar-se em entendimento.

A propósito desse assunto, podemos observar que sempre há conservadores e renovadores em todos os setores, mesmo no religioso. O primeiro grupo compreende os velhos crentes, aferrados à tradição, os quais detestam as novidades; o segundo compreende os progressistas, que, tendendo ao extremismo, desprezam tudo que é antigo. Daí surge a discussão, a causa do conflito, que poderia ser facilmente resolvida pelo método “Izunomê”.

A Religião, também, exige um profundo conhecimento da época. Todavia, os religiosos são indiferentes a esse ponto, demonstrando forte inclinação para considerar a tradição milenar como um código de ouro. Sendo a Fé algo espiritual – a Verdade absoluta e eterna – não é possível modificá-la.  Mas o mesmo não se aplica ao sector administrativo. Este corresponde à parte material da Religião e deve acompanhar as mudanças da época.

O que acabamos de dizer implica numa perfeita ação espírito-matéria, ou seja, devemos agir sempre de acordo com o método “Izunomê”. Assim, é escusado repetir que não se conquista a alma do homem moderno praticando fielmente métodos antiquados. O essencial é compreender que a ação de “Izunomê” é a verdade fundamental de todas as coisas. Desejo que os fiéis tenham profunda consciência dessa verdade, e por isso estou sempre pregando o espírito de “Izunomê”.

Meishu-Sama, 25 de abril de 1952

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