by **~~Love´s Alchemy~~**

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O CULTIVO DA AGRICULTURA NATURAL - Reminiscências de Meishu-Sama


Enquanto Meishu-Sama viveu no Hozan-so em Tamagawa, plantou mudas de flores, chá e legumes no amplo terreno da propriedade. Utilizando um espaço em que havia água corrente, transformou-a num arrozal. Além disso, preparou uma pequena horta, em que plantava várias verduras, aproveitando para estudar a consistência e a natureza química do solo. Ele mesmo fazia 
parte do trabalho, estimulando, dessa forma, os jovens à prática agrícola.

No começo, não demos muita atenção a esse projecto. Mais tarde, percebemos que Meishu-Sama, se dedicava a ele com muito empenho e carinho quando estava livre. Na verdade, estava trabalhando de acordo com um plano bastante profundo.

“Este é um produto cultivado pelo processo natural. Não é delicioso?” – perguntou-nos orgulhoso depois que a primeira safra chegou. Os produtos eram realmente bons e saborosos. Foi somente depois de muitos anos de estudo, realizando pesquisas, que Meishu-Sama chegou à conclusão de que o seu método natural de cultivo era o melhor. Por isso, começou a difundi-lo amplamente na sociedade, o que gerou a Associação para Expansão da Agricultura Natural. As Suas ideias foram adoptadas por muitos fazendeiros, membros e não membros em todo o país.

Nidai-Sama

A VONTADE DE ALEGRAR AS PESSOAS - Reminiscências de Meishu-Sama


Meishu-Sama sempre aguardava ansiosamente a visita do mestre de cerimónia do chá, da escola Kankyu-An, de quem eu era aluna. Ele preparava pessoalmente os utensílios a serem utilizados durante a cerimónia, assim como as flores. O Seu perfil se encaixava perfeitamente no de um praticante dessa arte, embora Ele não o fosse. Mas, no exacto momento de saborear o chá, Ele sempre estava lá.

Assim que o mestre chegava para me ministrar a aula, Meishu-Sama mostrava-lhe os objectos de arte recém-adquiridos. Pedia explicações sobre quadros antigos de caligrafias e perguntava como se liam os ideogramas. Descontraidamente, o meu professor fornecia informações, elogiava as peças e, algumas vezes, fazia restrições a certas obras. Ensinava-Lhe, portanto, sem nenhum rodeio. 

Meishu-Sama ficava feliz quando conhecedores do assunto apreciavam as obras por Ele coleccionadas. Sentia-se motivado quando pessoas, como o mestre do Kankyu-An ou o mestre de Nagauta (espécie de poema longo cantado, bastante popular na Era Edo; canta-se acompanhado por um Shamisen, instrumento de cordas), Kozaburo Yoshizumi, se deleitavam com as peças da sua colecção.

Ele não as exibia logo, gostava de criar um clima antes de apresentá-las. No início, como eu desconhecia essa estratégia, antecipava-me e as mostrava aos convidados. Visivelmente zangado, Ele dizia: “Há uma ordem a ser seguida. Você não pode agir por conta própria!” Era como se houvesse um roteiro pré-estabelecido: primeiramente, despertava a curiosidade do “espectador”; em seguida, explicava sobre o “espectáculo” e, no momento adequado, apresentava a “peça”.

Meishu-Sama também era sempre rigoroso ao nos ensinar o correcto manuseio das obras. Éramos repreendidos, por exemplo, quando não tínhamos o devido cuidado com as peças de Maki-e (artesanato em laca).  

Nidai-Sama

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CONFIANÇA EM DEUS E NOS HOMENS - Reminiscências de Meishu-Sama



Uma das maiores virtudes de Meishu-Sama era confiar nas pessoas incondicionalmente, sendo essa uma das razões porque era amado e respeitado por todos.

Ele repreendia com rigorosidade os erros cometidos pelos servidores, mas ninguém se queixava. Ao contrário, a pessoa que dizia “Meishu-Sama chamou minha atenção...” demonstrava alegria, pois sabia que Meishu-Sama confiava nela e lhe desejava verdadeiro crescimento. 
Ele tinha uma atitude franca e sincera com os indivíduos, mesmo com aqueles que encontrava pela primeira vez, porque acreditava realmente que todos os homens são filhos de Deus e respeitava a 
personalidade de cada um.

A Sua compreensão e natureza carinhosa eram expressas, desde a época em que era comerciante, pelo modo singular com que tratava os empregados.

A Sua fé em Deus ficou comprovada quando Ele decidiu deixar o mundo empresarial para devotar-Se inteiramente ao trabalho espiritual. Com esta mesma firme confiança em Deus, Ele persistiu até construir o Protótipo do Paraíso Terrestre e completar integralmente a missão que Lhe foi confiada por Deus.

Nidai-Sama

OBJECTIVIDADE E INOVAÇÃO - Reminiscências de Meishu-Sama


Meishu-Sama era bastante directo em tudo, tinha aversão à falsidade e à ostentação. Também se aborrecia com a minha atitude de dizer aos convidados que se preparavam para ir embora: “Não 
vão ainda. fiquem mais um pouco”.

Outro hábito que O aborrecia era quando, numa refeição, a pessoa dizia estar satisfeita e eu lhe oferecia mais um pouco de comida. 
Nessas ocasiões, Meishu-Sama falava na frente do convidado: “Ele já não disse que está satisfeito? Então, pode tirar a mesa.”

Constantemente, penso que falar assim, décadas atrás, significava que Meishu-Sama era um inovador.

Ás vezes, eu Lhe falava: “Meishu-Sama, o senhor é uma pessoa avançada para a época”. Ao que Ele respondia: “Não sou não. As pessoas é que são retrógradas.” Eu prosseguia: “O nosso padrinho de casamento dizia que o senhor era meio esquisito...” Ele retrucava, encerrando o assunto: “Muito pelo contrário: eu sou normal, os outros é que são esquisitos.”

Nidai-Sama

ENSINAMENTOS NA PRÁTICA - Reminiscências de Meishu-Sama



Frequentemente, Meishu-Sama abordava sobre a dificuldade de colocar as palavras em acção, dizendo ser muito difícil, realmente, viver de acordo com os Seus Ensinamentos: “Aquele que consegue agir exatamente como oriento é realmente um herói”.

Ele próprio era um homem de acção e, quando nos dizia algo, é porque já estava praticando. Muitas pessoas que O conheciam bem expressavam a sua admiração por essa qualidade. Uma delas, certa vez, revelou: “Eu já conheci muitos homens ilustres, mas nunca alguém que transformasse suas palavras em ação como Meishu-Sama. Muitos falam com frequência sobre seus planos, mas são poucos os que se empenham na sua realização sem perda de tempo. Eu penso que é por isso que Meishu-Sama realiza um trabalho tão grandioso como este.”
Sendo um “Edoko” típico (como Edo é o antigo nome da capital do Japão, trata-se das pessoas nascidas e criadas em Tóquio), Meishu-Sama trabalhava rápido e energicamente. Estas qualidades eram características dos “Edokos”. Assim, era habitual para Ele terminar num ano o que outras pessoas levariam dez para fazer.
Prova disso tudo era a Sua coleção de obras de arte. Ele reuniu inúmeras peças de alto valor artístico num espaço de tempo incrivelmente curto. Quando as pessoas tomavam conhecimento desse facto, ficavam abismadas e adquiriam ainda mais respeito por Ele. Afinal, não era difícil reunir inúmeros bons objetos de arte desde que se tivesse muito dinheiro e tempo para investir. Mas a quantidade e a qualidade das obras da Sua aquisição, reunidas de forma tão rápida, impressionavam qualquer colecionador e o faziam se destacar das pessoas comuns.

Nida-Sama

A IMPORTÂNCIA DA DECISÃO IMEDIATA - Reminiscências de Meishu-Sama




Logo que uma ideia lhe ocorria, imediatamente Meishu-Sama a colocava em prática. Penso que seguir esse Seu exemplo é muito bom para a saúde mental de qualquer pessoa. Se um indivíduo 
tem alguma ideia ou plano é melhor começar logo, ao invés de segurá-los na mente, imaginando quando deveria falar ou executá-los. Se não os liberamos, tornam-se uma carga mental. Falando, agindo sobre uma ideia ou pedindo a alguém que faça alguma coisa sobre ela, libertamos a mente e podemos partir para o próximo projecto ou ideia.

Procrastinar uma decisão leva ao stress. Além disso, corre-se o risco de esquecer o verdadeiro objectivo. O princípio da decisão imediata é o princípio da higiene mental, isto é, a acção da purificação mental natural. Se alguém permanecer nessa condição mental poderá empreender muitos trabalhos durante sua vida.
Meishu-Sama conservava sua mente sempre alerta durante um passeio, tomando chá ou conversando com outras pessoas. Nunca permitia que a sua mente ficasse exausta ou distraída. Eis uma das 
razões de ter realizado tantas coisas na vida.

Além disso, Ele estava sempre pensando no que ia fazer, mesmo durante as suas caminhadas. Agia igual ao lutador de Kendo (arte milenar japonesa semelhante à esgrima), que nunca deve vacilar.
Nidai-Sama

UM FACTO MISTERIOSO E PROFUNDO


Em 1961, por ocasião da minha visita missionária ao sudeste do Japão, enquanto proferia uma palestra sobre Meishu-Sama numa Igreja, uma vidente disse ter visto uma bola sair de dentro de 
mim e transformar-se na figura de Meishu-Sama, que andou em direcção à Sua fotografia. 
Segundo ela, Ele trajava belas vestimentas cinza claro com desenhos de nuvens, bordados em dourado. Sorria o tempo todo e ouvia minhas palavras com ar de aprovação. Isto significa que a minha alegria se transforma imediatamente na alegria de Meishu-Sama.

Nidai-Sama

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A CONSTANTE BUSCA DAS CAUSAS

Todas as noites, Meishu-Sama recebia relatórios sobre os  acontecimentos diários da Igreja. Quando percebia que não havia progresso por um bom tempo, uma diminuição no número de pessoas recebendo Johrei, frequentando os serviços ou aderindo à Igreja, ele mandava chamar o responsável pela unidade para se informar sobre as causas. Ele dizia: “Isso não é bom. Não deveria ser assim. Deve haver alguma razão”. 
Pessoalmente averiguava a causa e, assim, orientava o responsável sobre como agir para corrigir a situação. Quando a orientação era cumprida, a unidade voltava a crescer. Situações como essa repetiam-se com frequência e, seguindo o mesmo método, nosso trabalho expandiu-se com solidez.

Nidai-Sama

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

PROFUNDO AMOR ALTRUÍSTA - Reminiscências de Meishu-Sama


Meishu-Sama era bastante rigoroso com os familiares e servidores, combinando a firme atitude de um pai consciencioso com a atitude carinhosa de uma mãe dedicada. Isso gerava uma impressão agradável a todos que O conheciam.
Independentemente da situação ou de quem estivesse envolvido, Ele não admitia o favoritismo nem atitudes ambíguas. Jamais era parcial. Também não deixava passar algo despercebido. Se alguém cometesse alguma falha, Meishu-Sama repreendia com firmeza, demonstrando a profundidade do Seu amor altruísta. A Sua bondade, carinho e sinceridade de ajudar os outros a crescer era captado por quem fosse repreendido. Assim, ao invés de se abater por muito tempo ou ficar aborrecida, a pessoa sentia sincera gratidão por ter-lhe sido mostrado o caminho correcto e logo readquiria o ânimo para se empenhar mais eficientemente.
Ainda hoje me recordo de suas palavras, do seu sotaque claro e preciso, típico das pessoas naturais de Tóquio, e de suas brincadeiras irónicas no estilo de Bernard Shaw (1856-1950) – dramaturgo e escritor irlandês, um dos maiores nomes da literatura inglesa, cotado como um dos melhores críticos teatrais de sua geração). As lembranças ressurgem vivamente, estando gravadas em minha memória como uma grande saudade.

Nidai-Sama

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESPÍRITO FORTE E INDEPENDENTE - Reminiscências de Meishu-Sama



Se por um lado, Meishu-Sama tinha uma constituição física frágil e delicada, por outro possuía um espírito forte e independente. Desde a infância, Ele manifestava uma sobrenatural espiritualidade. Também possuía orelhas que fugiam ao padrão comum. No Japão, acreditava-se que quem tivesse os lóbulos das orelhas grandes e cheios, nascia sob “boa estrela” e teria sorte na vida.

Por conhecer estas prerrogativas, o dono de um grande moinho em Asakusa, desejando preservar a sua fortuna aos descendentes, pediu a Meishu-Sama que se casasse com a sua filha, tornando-se um yooshi (homem que, pelo casamento, passa adoptar o sobrenome da esposa).

Ele rejeitou de forma irredutível as ofertas desse senhor, causando um grande desapontamento aos Seus parentes. A sua resposta foi categórica: “Eu nunca mudarei o meu sobrenome e, sozinho, estou determinado a ter meu próprio lar e construir algo valioso”. Esta recusa demonstrou o Seu espírito forte e a concepção de objetivos elevados para a Sua vida.

Com o passar do tempo, apesar da saúde precária, Ele conseguiu descobrir o segredo de como alcançar o sucesso dignamente. Num aprimoramento constante, leu muito, estudou vários temas, aprofundou-se em estudos filosóficos, assistiu a conferências, etc. Como lhe incomodava a situação infeliz para a qual a sociedade estava caminhando, contribuía mensal e significativamente para o Exército da Salvação, em apoio às atividades filantrópicas desenvolvidas pela entidade. Certa vez, foi questionado por um alto oficial do Exército da Salvação do Japão, Sr. Gunpei Yamamuro: “Por que o senhor contribui mensalmente com um valor tão substancial para o Exército da Salvação se nem mesmo é cristão?” Ao que Meishu-Sama respondeu: “Porque vocês trabalham pelo bem da humanidade”. Demonstrava, assim, com exemplos, a Sua constante preocupação e amor ao próximo. Ele empenhava-se constantemente em melhorar a sorte dos outros.

Um exemplo disso aconteceu quando Ele estava preparando-se para devotar a Sua vida exclusivamente às atividades espirituais: dividiu generosamente entre os Seus empregados, a Sua loja de miudezas, que vinha desenvolvendo com sucesso e que era fruto de um árduo trabalho de muitos anos. Desde a infância, pressentia-se que Meishu-Sama se tornaria um grande Líder Espiritual, o que se concretizou com a fundação da Igreja Messiânica Mundial em 1º de Janeiro de 1935.


HONESTIDADE EM PRIMEIRO LUGAR - Reminiscências de Meishu-Sama




Aos 25 anos, com um capital de dois mil ienes, Meishu-Sama abriu uma loja de miudezas em Tóquio, na Rua Nishinaka, Nihonbashi, e deu o nome de Korin-do, em homenagem ao famoso Korin Ogata (1658-1716), o artista japonês mais admirado por Meishu-Sama. 

Nesse tempo, Ele vivia com a Sua mãe, pois o Seu pai já havia falecido e decidiu que, sozinho, enfrentaria a responsabilidade do negócio: o armazenamento dos estoques, a venda das mercadorias, a parte administrativa, enfim, todas as atividades do empreendimento. 

Ao me descrever o negócio, contou que levantava-se muito cedo e limpava a rua em frente à loja, antes que as pessoas começassem a transitar. Depois varria e espanava a loja, preparando diariamente o ambiente de trabalho. Disse também que desempenhava as funções de três pessoas – proprietário, vendedor e aprendiz – e atendia a todos os fregueses com cortesia e consideração, indistintamente. Agradecia desde o fornecedor até uma criança que comprava uma simples presilha para cabelo.

Quando abriu a Korin-do, um parente, com muita experiência, aconselhou-o: “Ninguém pode ter sucesso no comércio com uma política de total integridade. Nos negócios, ser honesto não é suficiente para prosperar; você não pode se deixar levar por dívidas de gratidão, pela compaixão e pela amizade.” Meishu-Sama até tentou seguir o que essa pessoa Lhe disse, mas acabou achando que era impossível seguir tal conselho e prosseguiu de acordo com os Seus próprios princípios.

Uma vez, o chefe da divisão de compras de aviamentos da Mitsukoshi (uma das maiores e mais antigas lojas de departamento do Japão) chegou a Meishu-Sama e pediu: “Há pouco tempo, eu fui nomeado chefe de divisão e sei muito pouco sobre aviamentos. Apreciaria enormemente qualquer informação sobre este assunto, em lojas especializadas neste ramo e qualquer detalhe a mais que o senhor possa me ensinar.”
Meishu-Sama respondeu: “Eu mesmo não tenho muita experiência, mas terei imensa satisfação em contar-lhe o que sei”. Deu-lhe, assim, detalhadas informações sobre as particularidades e 
especialidades de várias lojas de miudezas, apontando algumas que eram excelentes em desenhos ou especializadas em certos artigos. Após as orientações recebidas, o chefe de divisão da Mitsukoshi agradeceu muito e foi embora.

Alguns dias mais tarde, voltou e disse a Meishu-Sama: “Hoje eu tenho um favor a lhe pedir. O senhor é um raro homem de negócios. A maioria das pessoas não teria falado comigo com a sinceridade que o senhor falou. Só de ouvir o nome “Mitsukoshi”, expressaria o desejo de negociar connosco. O senhor, no entanto, nem mencionou a sua loja. Ao contrário, ensinou-me gentilmente, elogiando e analisando os pontos positivos de outros estabelecimentos. Esta não é uma atitude comum de um comerciante, fiquei muito impressionado com sua extraordinária personalidade e gostaria que passasse a negociar connosco.”
Meishu-Sama declinou repetidas vezes desta oferta, explicando que a Sua loja era de retalho; mas diante de contínua insistência, acabou fechando um contrato com a Mitsukoshi. Esta transacção 
obrigou-o a mudar o ramo de actividade da Sua loja, passando-a de retalho para atacado.
A originalidade das Suas inovações e o Seu estilo comercial chamaram a atenção e cativaram a simpatia do público, rendendo-Lhe, assim, um enorme êxito.

 Nidai-Sama

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO LAZER - Reminiscências de Meishu-Sama



Quando Meishu-Sama terminava o Seu dia de trabalho, por volta das 16 horas, frequentemente solicitava a minha presença na loja para acompanhá-lo ao Teigueki (Teatro Imperial) ou ao cinema em Guinza ou Asakusa. Gostava muito de cinema e sempre organizava as actividades para que tivesse tempo disponível para poder ver novos filmes. 

Não era comum, naquela época, marido e mulher saírem juntos. Assim, chamávamos muito a atenção das pessoas, o que me inibia às vezes. Meishu-Sama não se importava com isso, pois sempre tinha seu pensamento à frente da maioria das pessoas. Nós vimos uma quantidade enorme de filmes ocidentais. Eu sempre me esquecia do que via, mas Meishu-Sama lembrava-se de todos os detalhes: do enredo aos nomes do realizador e dos actores. Durante a sessão, às vezes, Ele cochilava. Apesar disso, podia contar tudo sobre os filmes. Acredito que alguma parte da Sua mente continuava desperta enquanto dormia. Quando os filmes eram interessantes, Ele os assistia atentamente, observando os figurinos de perto e anotando cuidadosamente qualquer coisa que lhe desse alguma ideia para o Seu negócio.


Além de assistir e gostar de filmes americanos e europeus, Ele também gostava de ver shows japoneses, puramente cómicos, como havia em Asakusa. frequentemente o vi rindo de cenas engraçadas, com lágrimas escorrendo pela face.

Ele também assistia a peças populares. O Seu lazer era bastante diversificado, pois tinha interesse por tudo. No entanto, não via constantemente peças de teatro cabúqui, pois era necessário dispor de mais tempo para assisti-las e devido aos grandes actores não participarem mais delas. Mas ia com frequência ao teatro em Tsukiji. Afinal, gostava da interpretação de Sadao Maruyama.

Meishu-Sama ouvia com frequência música ocidental dos grandes clássicos, mas não apreciava as melodias tristes, nostálgicas e pesadas. Deliciava-se a ouvir o Messias (Haendel), Carmen (Bizet), Aída (Verdi), Guilherme Tell (Rossini), Orfeu no Inferno (Offenbach) e Danúbio Azul (Strauss), entre outras. Apreciava também célebres valsas, uma variedade de marchas e obras dos grandes compositores. fiquei surpresa a primeira vez em que O vi com um sobrinho, marcando alegremente com as mãos e os pés, o ritmo das músicas.
Quando havia algum concerto ou estreava uma peça de teatro ou companhia de ballet estrangeira, Ele era um dos primeiros a comprar o ingresso. Não apreciava somente a música e os espectáculos artísticos, mas também a atmosfera que sentia num teatro.

Nidai-Sama

SEMPRE À FRENTE DO SEU TEMPO - Reminiscências de Meishu-Sama



Ao transformar a Korin-do em uma loja atacadista, Meishu-Sama mudou o seu nome para Okada Shoten (Loja Okada) e empregou o Seu primeiro funcionário com participação de lucros. A Sua empresa foi crescendo gradativamente; as vendas alcançaram cifras enormes e o lucro dos empregados era tão grande que era difícil saber quem estava em melhor situação: se Meishu-Sama ou os Seus vendedores, que ganhavam mais que os vendedores de outras lojas. Isso grangeou-Lhe um grande respeito e fidelidade por parte dos Seus subordinados. Um dos seus primeiros vendedores, o Senhor Nagashima, que trabalhou na loja de Meishu-Sama por um longo tempo, mais tarde, estabeleceu-se por conta própria com grande sucesso, mas nunca esqueceu os seus tempos de empregado, orgulhando-se por ter tido Meishu-Sama como seu empregador. Até hoje ele vem me visitar e, por várias vezes, afirmou: “Meishu-Sama causou-nos uma impressão profunda de um patrão incomum. Durante todo o tempo que trabalhamos para Ele, sentíamos a sua intensa bondade e autêntica dignidade, que nos inspirava um grande respeito. Combinava firmeza e amor na Sua pessoa. Além dos nossos salários regulares, Ele adicionava uma percentagem proporcional à eficiência do trabalho de cada um. O Seu método era bem diferente do dos outros empregadores. A Sua profunda bondade e dignidade, aliadas ao senso de justiça, faziam dele um empregador adiantado no tempo e, por isso, era muito respeitado por todos nós.”
Nidai-Sama

EXISTEM FANTASMAS? - Ensinamento de Meishu-Sama



Desde épocas remotas há controvérsias sobre a existência de fantasmas, mas eu afirmo que eles existem. Trata-se de uma realidade que ninguém pode negar. Creio que a tese do Inferno e do Paraíso, pregada por Buda, assim como a do Inferno Purgatório e Céu, da "Divina Comédia" de Dante Alighieri (1265-1321), não são teses sem fundamento, absurdas ou ilusórias.
O que é o Mundo Espiritual? Em síntese, o Mundo Espiritual é o mundo da vontade e do pensamento. Sem o empecilho da matéria, há uma liberdade que não existe no Mundo Material.
O espírito pode ir aonde quiser, e mais rapidamente do que uma aeronave. No xintoísmo, as palavras "Tome assento nesse templo, vencendo o tempo e o espaço", proferidas nas cerimónias litúrgicas, significam que um espírito pode cobrir a distância de mil léguas em alguns minutos ou até segundos. Entretanto, a rapidez com que ele se move depende da sua hierarquia. Os espíritos elevados, isto é, aqueles que conseguiram atingir os níveis da hierarquia Divina, são mais velozes. O espírito do nível mais alto da hierarquia Divina pode chegar ao local mais distante num espaço de tempo menor do que a milionésima parte de um segundo, mas o espírito de nível inferior leva algumas dezenas de minutos para cobrir mil léguas. Isso porque, quanto mais baixo o nível do espírito, mais pesado ele é, devido às suas impurezas.
Além disso, por sua própria vontade, o espírito pode aumentar ou diminuir de tamanho. Numa Morada dos Ancestrais com mais ou menos trinta e cinco centímetros de largura, podem tomar assento várias centenas de espírito. Nessa oportunidade, é rigorosamente observada a ordem, isto é, cada um ocupa a posição adequada ao seu nível, dentro da maior disciplina e com a indumentária apropriada. No budismo, eles assentam no seu nome intemporal, escrito numa placa de madeira ou de qualquer outro material; no xintoísmo, assentam num espelho, numa pedra, numa letra ou no "Himorogui" (cruz feita de fibras de linho).
Logicamente, os espíritos ficam muito satisfeitos pelos cultos que lhe são oferecidos de coração, nas ocasiões de culto, as pessoas devem colocar o máximo de sentimento e realizá-lo de forma ideal de acordo com as condições materiais do momento.
Desde épocas remotas, fala-se em pessoas que ocasionalmente vêem fantasmas, mas na maioria dos casos trata-se de espíritos com poucos dias de desencarnados. O grau de densidade das células espirituais dos recém-falecidos é elevado, razão pela qual esses espíritos podem ser vistos por algumas pessoas. Nada há de estranho, portanto, no facto, de muitos terem visto a Ressurreição e a Ascensão de Cristo. Porém, como o espírito de cristo era elevado, Divino, ascendeu ao Céu. Com o passar do tempo, o espírito é purificado, ficando menos denso e, assim, mais difícil de ser visto.
Um fantasma pode entrar e sair livremente por um orifício do tamanho do buraco de uma agulha, pois não tem corpo carnal que lhe estorve a passagem. Em vista disso, muitos podem pensar que o Mundo Espiritual seja o lugar ideal para quem ama a liberdade, mas não é bem assim. Nele existem leis que são aplicadas rigorosamente, e a liberdade é limitada.
Agora falarei rapidamente sobre a expressão facial dos espíritos.
Os fantasmas geralmente são retratados com a a expressão facial dos instantes da morte. Entretanto, com o decorrer do tempo a expressão do espírito vai mudando lentamente, amoldando-se à indole da pessoa. Por exemplo, os tímidos, os pessimistas e os solitários, tomam um aspecto lúgubre, raquítico; os possuidores de natureza diabólica e animalesca, tomam a aparência do próprio demónio; os de pensamento vil ficam com a face disforme, e os que têm bom coração adquirem uma expressão bondosa e bela. Neste mundo, é possível encobrir o pensamento pela configuração chamada corpo carnal, mas no Mundo Espiritual tudo é revelado, aparecendo exactamente como é. Essa imagem verdadeira aparece mais ou menos um ano após a morte.
Num livro da autoria de um grande religioso, há mais ou menos esta referência: "Quando o homem falece, o seu espírito se extingue. O espírito não é eterno, nem tampouco existe o Mundo Espiritual; se existisse, já estaria repleto, pois o número de pessoas que faleceram atinge vários bilhões". Esse autor, apesar de ser um expoente do budismo, desconhece o poder de elasticidade do espírito."

Meishu-Sama, 5 de Fevereiro de 1947

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

OS FAMILIARES - Reminiscências de Meishu-Sama



Até o tempo do seu bisavô, a loja Musashiya tinha sido muito próspera e, apesar dele ter sido uma pessoa notável em vários sentidos, a fortuna da família diminuiu bastante. Quando Meishu-Sama nasceu, os Seus pais atravessavam uma fase financeira difícil, sendo até necessário montar uma barraca nocturna para negociar objectos usados no pátio do Templo Kannon de Asakusa. Apesar das dificuldades financeiras, o Seu pai era extremamente meticuloso em matéria de limpeza – chegou a construir uma casa de banho para o seu uso exclusivo e não deixava nem os próprios membros da família o usarem. Já a Sua mãe era uma dona de casa muito económica e zelava para que nada fosse desperdiçado. Com grande senso de responsabilidade, atenta a tudo o que possuía, foi um exemplo na conduta do lar. Nascido e criado por uma mãe sensata e um pai íntegro, Meishu- Sama era o reflexo destas qualidades. Somava a tudo isso, virtudes e ideias arrojadas. Os Seus objectos eram guardados em gavetas específicas da escrivaninha, de modo que, mesmo no escuro, Ele conseguia achar facilmente qualquer coisa que quisesse. Era tão económico que não desperdiçava nem uma folha de papel para escrever. Por outro lado, não regateava ao pagar somas bem altas em dinheiro para a aquisição de obras de arte, pois valorizava a obtenção de trabalhos artísticos de nível superior. Ele absorveu hábitos muito bons no lar durante a infância, alicerçando uma base de grande valor para Sua vida futura. Dessa forma, Ele nos orientava com bastante rigor sobre o manuseio das Imagens da Luz Divina, dos Ensinamentos e das obras de arte.

Nidai-Sama


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A RESPEITO DO PARAÍSO TERRESTRE - Ensinamento de Meishu-Sama



Diariamente, através do rádio e dos jornais, tomamos conhecimento de que a sociedade está repleta de males. Numa visão a grosso modo, e excluindo a guerra, podemos enumerar a corrupção dos funcionários públicos, assassinatos, roubos fraudes, suicídios, tuberculose e outras doenças contagiosas, falta de alimentos, crises habitacionais, dificuldades financeiras, opressão de impostos, etc. As coisas boas são tão poucas quanto as estrelas do amanhecer... Então surge a dúvida: por que a sociedade chegou até esse ponto?
Realmente, pode ser que existam muitas causas, mas, em poucas palavras, diríamos que a situação é decorrente da decadência moral e também de acentuada decadência do nível do homem. É por isso que, ultimamente, os entendidos no assunto e os educadores começaram a interessar-se por essa questão. Outra causa que pode ser levantada é que, após a Segunda Grande Guerra, o pensamento liberal passou dos limites. Parece que se discute a reforma e incremento da educação, da moral e da educação cívica por não haver outra alternativa. Mas é interessante observar que, em tais ocasiões, o Japão nunca recorre à Religião, o que talvez possa ser explicado. As religiões antigas são fracas demais, e as novas, em sua maioria, são supersticiosas e falsas. É, por isso que, como todos vêem, ainda não se conseguiu achar um caminho que levasse à solução radical do problema. Eu, porém, elaborei um plano concreto, objectivando solucioná-lo de forma diferente.
Para começar, baseei-me nas diversões populares. Naturalmente, em qualquer época, a grande massa popular necessita de diversões. Na sociedade actual, entretanto, as que existem são de baixíssima categoria. De facto, teatro, cinema, desporto, cinema, xadrez, dominó, etc. são diversões aceitáveis, mas acho que se fazem necessárias recreações de nível ainda mais elevado. É com esse objectivo que a nossa Igreja está construindo o protótipo do Paraíso Terrestre nas terras de Hakone e a Atami. Com já descrevi várias vezes, aí será construído o paraíso ideal, onde se acham perfeitamente harmonizadas a beleza natural e a beleza criada pelo homem. Um projecto grandioso como esse, não creio que já tenha sido elaborado por alguém. Encantada com a atmosfera tão diferente do mundo a que está acostumada, qualquer pessoa, nesses locais, esquece-se de tudo e até pensa estar em cima das nuvens. Visto que isto acontece antes mesmo de termos concluído metade da obra, todos ficam maravilhados.
O protótipo de Hakone já está próximo de sua conclusão, mas como é uma obra de pequena escala, falarei a respeito do protótipo de Atami, em plena construção actualmente.
No jardim de cem mil metros quadrados, com altos e baixos, estão sendo plantados arbustos e árvores que dão flores, como ameixeiras, cerejeiras, azaleias, etc., mescladas com árvores que estão sempre verdes. Também está em fase de preparação a construção de um jardim com as mais diversas variedades de flores. Pela sua beleza encantadora na Primavera e pela paisagem da Baía de Sagami, que se pode avistar ao longe, não seria exagerado dizer que o protótipo de Atami é um enorme e ideal "Jardim do Éden".
Como localização, este protótipo do Paraíso Terrestre está situado no melhor local de Atami. Além do mais, para acrescentarmos maior beleza ao lugar, construiremos um magnífico museu de belas-artes, cuja conclusão certamente fará com que o protótipo de Paraíso Terrestre de Atami se torne alvo de admiração não só de japoneses como de estrangeiros. Por conseguinte, qualquer pessoa que visite esse local purificará o seu espírito maculado pelas condições do mundo, e a sua alma, completamente árida, será regada na própria fonte. Assim revigorada, seu trabalho renderá mais e naturalmente, seu carácter também se elevará. Por isso, a contribuição do protótipo do Paraíso Terrestre para o espírito das pessoas da sociedade será inestimável.

Meishu-Sama, 1 de Janeiro de 1952

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A DIALÉCTICA DA HARMONIA - Ensinamento de Meishu-Sama



Harmonia é um velho termo que impressiona bem e sugere um princípio da Verdade. Contudo, não deve ser aceite cegamente, pois, embora essa interpretação não esteja errada, é muito superficial. Sendo assim, precisamos aprofundá-la.
Tudo o que há no Universo acha-se em perfeita harmonia. Só há desarmonia para quem vê as coisas superficialmente - é um erro de ponto de vista. A desarmonia que se apresenta aos olhos do homem é apenas aparente. Isso porque ela é criada pelos homens e a sua causa é a acção anti-natural. Ou seja, do ponto de vista da Grande Natureza, a desarmonia decorrente da acção anti-natural é a verdadeira harmonia. Essa é a Verdade Absoluta.
Neste sentido, basta que o homem obedeça às Leis do Universo para que todas as coisas se harmonizem e progridam normalmente. Assim quando se provoca desarmonia, surge a desarmonia; caso contrário surge a harmonia. Nisto consiste a Grandiosa Harmonia da Natureza. Para ser feliz, o homem precisa aprofundar o seu conhecimento sobre o assunto. Temos tido frequentes provas de que, com o tempo, a desarmonia momentânea se transforma em harmonia e vice-versa. Essa é a realidade da vida e reclama profunda reflexão.
Sintetizando: a desarmonia é produto da visão estreita ("Shojo"); a harmonia, produto da visão ampla ("Daijo").

Meishu-Sama, 1 de Outubro de 1952

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A FÉ INSPIRA A SABEDORIA - Ensinamento de Nidai-Sama



Neste mundo cheio de distorções, as pessoas muitas vezes não sabem o que é o bem e o que é o mal. Quando têm fé em Deus, porém Ele lhes dá sabedoria para distinguir o certo do errado na vida, permitindo-lhes assim trilhar o caminho certo sem se desviar ou perder a direcção.
Nidai-Sama

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A VERDADEIRA FÉ EM PRIMEIRO LUGAR - Ensinamento de Nidai-Sama



Aqueles que possuem a mente aberta e são puros de coração, recebem inspiração dos ensinamentos dos grandes homens e também de suas experiências pessoais na vida. Ao contrário, os que são egoístas e possuem mentalidade estreita não desejam olhar para dentro de si próprio e progredir, quando enfrentam situações adversas.
Deixam passar esplêndidas oportunidades de evoluir e vão num rame-rame, situados no mesmo plano espiritual, ano após ano, sem realizar qualquer progresso.
Aqueles que possuem fé autêntica, aceitam tudo o que lhes acontece como bençãos de Deus e se valem de todas as experiências como oportunidade para progredir. Em consequência evoluem numa situação que em circunstâncias iguais, outros fracassariam. Essa diferença de progresso representa enorme vantagem no decorrer da vida.
Quando nos pomos a pensar assim, compreendemos então o quanto representa de valor para nós, a verdadeira fé. Se a encontrarmos em primeiro lugar, outros benefícios se seguirão sem que necessitemos de procurá-los. Como diz a Bíblia: "Procure primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça e todas essas coisas ser-lhe-ão dadas de acréscimo".

Nidai-Sama 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

OBJECTIVO FINAL DA VIDA - Ensinamento de Nidai-Sama


O objectivo final da nossa vida é o de nos tornarmos perfeitamente conscientes da existência de Deus, - Ser Eterno e Absoluto, sem princípio ou fim a fim de que possamos atingir um clima de constante felicidade através da fé em Deus e também para que consigamos a salvação eterna. O Homem deve buscar o tesouro espiritual, muito mais precioso que o tesouro material, o qual se deteriora e se desgasta.
Não seria necessário dizer que a maioria deseja ter um nome, uma posição, felicidade e sorte que são considerados tesouros, pois é próprio da natureza humana. Tais desejos embora naturais e correctos, são muitas vezes ilimitados e as pessoas tentam possuir mais do que necessitam. Como consequência surge o conflito causado pelo fogo cáustico da inveja e ambição. O mundo moderno reflecte isso, pois está em posição extrema.
A religião procura orientar o homem e indicar-lhe o caminho correcto, explicando-lhe quais os valores verdadeiros e o objectivo básico da vida. A crença pessoal do homem deve orientá-lo de modo a que se torne cada vez mais consciente de Deus, na medida em que cumpre a sua missão particular.

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